Mercado para professor cresce a cada dia, diz especialista

Trabalhando em zonas rurais, urbanas, em escolas ou até em lugares improvisados, professores somavam 2,8 mi

SÃO PAULO – Nesta quarta-feira (15), é comemorado o Dia dos Professores. Este dia foi escolhido por ser a data da festa litúrgica de Santa Tereza d´Ávila. Pela tradição da Igreja Católica, a santa, nascida em Ávila na Espanha, e falecida em 1582, foi associada aos docentes e passou a ser conhecida como a padroeira dos professores.

O 15 de outubro também foi escolhido porque, neste dia, em 1827, um decreto imperial de D. Pedro I instituía o ensino público no Brasil, ordenando a criação de escolas de primeiras letras (de alfabetização), em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império.

Apesar da data comemorativa, entretanto, os professores ainda não são valorizados como deveriam no Brasil. Trabalhando em zonas rurais, urbanas, em instituições de ensino ou até mesmo em ambientes improvisados, eles somavam 2,8 milhões em 2006, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Salário

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Veja a remuneração média dos professores em 2006, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego:

Subgrupo ocupacionalRendimento médio (R$)
Professores de nível superior na educação infantil e no Ensino Fundamental1.447
Professores do Ensino Médio1.309
Professores e instrutores do ensino profissional1.624
Professores do Ensino Superior2.292
Professores de ensino ainda não classificado1.738
Professores de nível médio na educação infantil e no Ensino Fundamental1.098
Professores leigos no Ensino Fundamental e profissionalizante947
Instrutores e professores de escolas livres820

Mercado crescente

A boa notícia é que o mercado para professores está em transformação. De acordo com a professora do curso de Pedagogia da PUC-SP, Hyrla Aparecida Tucci Leal, depois que o governo implantou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996), passou a exigir que todos os professores, de todos os níveis, tivessem formação superior.

“No final de 2006, o governo Lula manteve essa decisão, para melhorar o nível do professor. Com isso, as instituições tiveram que se adequar. Acredito que isso pode levar a uma valorização do professor. Os salários ainda não melhoraram, mas devem melhorar. Acredito que o que ainda falta é a criação de um plano de carreira para professores”, afirma Hyrla.

A professora explica que muitas portas foram abertas recentemente para os professores. Hoje, eles não precisam procurar emprego necessariamente nas escolas. “Hospitais estão contratando professores, para dar aulas às crianças internadas. Há a Fundação Casa (antiga Febem), creches, brinquedotecas, escolas de idiomas, entre outras possibilidades”.

Ao realizar um curso de Pedagogia, os profissionais saem aptos a dar aulas para o Ensino Infantil e Fundamental nível 1, que engloba alunos de até dez anos de idade, bem como a trabalhar como gestor de uma instituição ou coordenador pedagógico. Outra possibilidade é a área de orientação vocacional. “A demanda é alta. Tanto que o governo pretende ampliar o número de cursos, para atendê-la”.

Luta pela valorização

Hyrla não concorda com as críticas que são feitas aos professores. “As pessoas dizem que a culpa do sistema educacional ruim é do professor, que é acomodado. Mas isso não é verdade. Há professores que trabalham o dia inteiro, dão aulas em várias escolas, para ter um salário razoável. Sempre recomendo aos meus alunos que briguem pela profissão, que lutem para serem valorizados”, finaliza.