Mercado de trabalho faz as mulheres adiarem sonho de ser mãe

Segundo o IBGE, o número de mães com mais de 40 anos no Brasil cresceu 27%, entre 1991 e 2000

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SÃO PAULO – Em 1990, a parcela feminina no mercado de trabalho era de 34,4%. Em 2006, elas já ocupavam 42% dos postos de trabalho. Praticamente não existem mais segmentos exclusivamente masculinos.

Com o intuito de consolidar a carreira, cada vez mais mulheres têm preferido adiar projetos pessoais, como a maternidade.

“A redução da fecundidade ocorreu mais intensamente nas décadas de 70 e 80. Os anos 90 já começaram com uma taxa baixa de fecundidade: 2,6%, que cai para 2,3% no fim da década”, enfatiza o especialista em reprodução humana e diretor da Clínica Gera, Joji Ueno.

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O motivo da queda é que as reações sobre a gravidez de uma funcionária nem sempre foram tratadas de forma amistosa no mundo corporativo. Até algumas décadas atrás, em muitas companhias, existiam restrições para a admissão de mulheres em geral, e a faixa etária mais atingida era entre 20 e 30 anos. A gravidez representava altos custos na folha de pagamento das empresas. Hoje, o preconceito diminuiu, mas ainda existe.

Desejo adiado

“Hoje, devido ao competitivo mercado de trabalho e ao acúmulo de funções sociais, muitas mulheres optam por ter filhos mais tarde, depois dos 35 anos, O desejo da maternidade é adiado, mas não descartado”, diz o médico.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de mães com mais de 40 anos no Brasil cresceu 27%, entre 1991 e 2000. Aquelas que tiveram filho entre os 40 e os 49 anos têm alta escolaridade. Dentro desse grupo, 59,1% completaram oito anos ou mais de estudo e são oriundas de famílias com alto poder aquisitivo. Além disso, 25,7% delas contam com rendimento mensal familiar de mais de dez salários mínimos.

Outro fator que pesa para o adiamento é o aumento da expectativa e da qualidade de vida dos brasileiros. “Hoje, uma mulher de 60 anos tem mais vida ativa. Sendo mãe aos 40, ela sabe que irá criar bem seu filho e acompanhar seu crescimento.”

Relógio biológico

Quando a mulher nasce, seus ovários possuem entre 200 mil e 400 mil folículos – estruturas que originam os óvulos, mas eles perdem qualidade ao longo da vida. “Aos 20 anos, há 40% de chances de uma mulher de vida sexual ativa engravidar. Aos 35 anos, esse índice é de 16% a 20%. Depois, a queda é vertiginosa. Aos 40, 8% de chances, aos 42, 5%, e aos 44, 1%”, explica o diretor da Clínica Gera.

Ele recomenda alguns cuidados para quem adiou o sonho: “Procure um médico antes de engravidar. É importante fazer exames laboratoriais de rotina, tais como hemograma, tipagem sangüínea, sorologias, exames de urina. Se tudo estiver bem, recomendamos também uma suplementação vitamínica de ácido fólico, três meses antes da concepção. O objetivo é diminuir o risco de má formação do sistema nervoso central do bebê.

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“Depois de confirmada a gravidez, a mulher deve fazer um exame ultra-som para verificar se o embrião está dentro do útero e se a gestação é única ou múltipla. Mulheres com mais de 35 anos também estão mais propensas a ter gestações múltiplas ou anômalas”, avisa o médico.