Mercado de trabalho apertado expande pressão sobre a inflação

Economistas seguem otimistas com dados de emprego, após IBGE relatar que taxa de desemprego atingiu 6,4% em maio

SÃO PAULO – Em maio, a elevação dos salários, a geração de empregos e o recuo da inflação possibilitaram que a massa salarial agregada voltasse a crescer, atingindo o pico da série. Essa é a análise de Mauro Schneider, do Banco Banif, ao comentar a Pesquisa Mensal de Emprego referente ao mês de maio, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com Schneider, embora os dados do mercado de trabalho divulgados nesta sessão mostrem sinais de desaceleração, “as perspectivas continuam a ser positivas, reforçando o cenário de expansão de consumo e de provável pressão sobre a inflação”.

Mercado apertado
De acordo com os consultores da MCM, a estabilidade da taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País indica que o mercado de trabalho continua apertado e segue como “principal fator de risco” para o cenário prospectivo de inflação.

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Assim, segundo a consultoria, o mercado de trabalho apertado faz com que a renda real volte a crescer. “A inflação mais baixa também contribui para isso”, destacam os consultores da Rosenberg. Para eles, nos próximos meses, o “rendimento médio real deverá continuar duplamente beneficiado pela inflação sazonalmente mais baixa e pela pouca disponibilidade de mão-de-obra”.

Portanto, o mercado de trabalho continua se constituindo numa fonte de sustentação de consumo, dificultando a tarefa do Banco Central de reduzir as pressões da demanda sobre a inflação e amenizar o recuo da atividade que começa a ocorrer via desaceleração do crédito.

A partir destes resultados da Pesquisa Mensal de Emprego de maio, os consultores da LCA acreditam que poderão reduzir as apostas de que a próxima elevação da Selic seja a última, “ainda que seja o nosso cenário base”.