Menores investimentos e produção de bens duráveis pressionaram o PIB dos EUA

No entanto, analistas destacam alguns sinais positivos, como o aumento na produção de bens duráveis e de serviços

SÃO PAULO – O Departamento de Comércio dos EUA revelou a segunda prévia do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano do terceiro trimestre nesta terça-feira (22), o qual apontou avanço de 2% da economia do país. A diminuição nos investimentos foi um dos principais fatores para essa revisão, segundo as corretoras dos bancos Fator e Cruzeiro do Sul, além da consultoria First Trust Advisors.

A atividade da principal economia do mundo veio abaixo dos 2,5% estimados pelos analistas para o terceiro trimestre de 2011. Contudo, o número segue acima do verificado no primeiro e no segundo trimestre deste ano, com altas de 0,4% e 1,3%, respectivamente.

“A redução na segunda prévia se deu principalmente por recuo na produção de bens não duráveis, investimentos privados, quedas nos estoques e do consumo do governo. Já a produção de bens duráveis e serviços se elevaram com mais força, em um sinal importante para a economia do país”, afirma Jason Vieira, que assina o relatório da Cruzeiro do Sul Corretora.

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Investimentos impacta PIB
Para o economista-chefe da corretora do banco Fator, José Gonçalves, a mudança mais significativa ocorreu em investimentos, saindo de um crescimento de 4,1% na primeira estimativa para uma queda de 0,9% na segunda prévia.

“A revisão para baixo do PIB entre a primeira e a segunda estimativa do terceiro trimestre não era aguardada pelo mercado. Tal revisão decorreu pela queda do investimento em estoques, com recuo de US$ 8,5 bilhões”, avalia Gonçalves.

Pontos positivos e negativos
Apesar da decepção do mercado com os números apresentados, o economista-chefe da FT Advisors, Brian Wesbury, a maior contribuição positiva para o crescimento do PIB no período veio justamente do consumo pessoal e de investimentos em equipamentos e software.

“A dependência do crescimento norte-americano em relação ao consumo, que representa mais de 70% do PIB, faz com que a recuperação do mercado de trabalho seja um dos eventos de maior relevância para a reversão dos efeitos da crise”, avalia o analista da Cruzeiro do Sul Corretora.

Já do lado negativo, Wesbury destaca o recuo dos estoques e a revisão inesperada para baixo de salários no segundo e no terceiro trimestre. “Menor avanço na renda pessoal provavelmente reflete em fraco crescimento econômico no primeiro semestre do ano, mas merece atenção para vermos se isso terá continuidade no último trimestre de 2011”, diz o economista da FTaAdvisors.

Melhora no curto prazo?
Com a produção em bens duráveis e os serviços mostrando evolução, o PIB norte-americano apresentou um sinal importante para o governo do país, avalia Vieira.”Esta leitura mantém os EUA numa situação consideravelmente melhor no curto prazo”, finaliza o analista do Banco Cruzeiro do Sul.