Membros do BoE mantêm divergências sobre política monetária, mostra ata

Posição dos membros não se alterou desde a última reunião; três membros defenderam aumento da taxa básica de juros

SÃO PAULO – A divergência entre os membros do comitê de política monetária do BoE (Bank of England) continuou na última reunião, com três dos nove membros optando por aumento na taxa básica de juros e outro por um incremento no programa de compra de ativos.

Vale lembrar que os membros votaram pela manutenção da taxa básica de juros em 0,5% ao ano e mantiveram o programa de compra de ativos em £ 200 bilhões. Andrew Sentance votou por um aumento em 50 pontos base na taxa, enquanto Spencer Dale e Martin Weale indicaram uma elevação de 25 pontos base. Quanto ao programa de alívio quantitativo, apenas Adam Posen apresentou alguma divergência, ao indicar um aumento em £ 50 bilhões.

“De modo geral, as considerações principais do comitê permaneceram as mesmas, eventos recentes aparentemente aumentaram o nível de incerteza sobre o cenário de médio prazo tanto para a atividade quanto para a inflação”, mostra a ata da reunião. “Contudo, o equilíbrio entre os riscos de upside e downside para o cenário da inflação no médio prazo provavelmente não se alteraram significativamente durante o mês”, complementa.

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Inflação acima da meta
Sem citar nomes, a ata da reunião revela que alguns membros acreditam que os riscos de que as expectativas de inflação podem subir e que as pressões globais nos preços superam os riscos relativos às incertezas sobre a força da recuperação do país. Assim, o cenário para a alta nos preços se deteriorou ainda mais, com uma chance real de que o valor supere 5% ainda neste ano, aponta a ata.

Já para um desses membros em específico, as perspectivas para o crescimento e para a inflação são significativamente mais fortes do que o estimado anteriormente pelo governo. Assim, a alta nos preços dificilmente retornará à meta do banco ao atual nível da taxa de juros, indica.

Momento inapropriado
Por outro lado, outros membros acreditam que um aumento ainda não é apropriado, uma vez que os riscos para uma alta ainda são limitados, uma vez que o cenário de curto prazo foi influenciado por alterações nos preços de energia e de commodities, do VAT (Value Added Tax, um imposto sobre consumo) e nas mudanças relativas ao câmbio.

De um modo geral, as incertezas criadas pelo cenário para o mercado de petróleo e por indicadores de gastos dos consumidores e da confiança significam que os membros devem esperar para observar como esses fatores evoluem antes de alterar a postura ante a política monetária, conclui.

Mais compra de ativos
Por fim, um único membro acredita que os riscos de que a inflação fique abaixo da meta do banco continuam a garantir a expansão do programa de compra de ativos. A visão é apoiada no fato de que os gastos dos consumidores mostram redução desde a metade de 2010, enquanto os salários continuam bem abaixo do avanço da inflação e do aumento de produtividade.