Mania de se queixar: como isso afeta sua carreira?

De acordo com consultora, reclamação constante pode ser vista como insatisfação ou incompetência; critique, mas mostre solução!

SÃO PAULO – O salário é baixo, o líder é arrogante, o computador é lerdo. A cada dia, surge uma nova crítica. Quem nunca conviveu com o “reclamador” no ambiente de trabalho ou com aquela pessoa que tem o dom de se queixar de tudo? Pois saiba que a prática pode ser prejudicial para a carreira.

De acordo com a supervisora do serviço de consultoria virtual da Catho Online, Gláucia Santos, essas pessoas acabam deixando um ambiente ruim. “Ela crê que o trabalho não é satisfatório e faz com que essa crença passe para os outros profissionais”.

Além disso, a queixa constante mostra duas coisas: insatisfação e incompetência, por não conseguir realizar as tarefas nas condições que a empresa oferece. A pessoa não deve aceitar tudo o que acontece na companhia, mas, quando a reclamação é de algo que existe há anos, por exemplo, fica difícil mudar a cultura da empresa.

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Outro ponto interessante a ressaltar é que, para a empresa, é bom ter alguém com senso crítico, mas que também traga soluções. “Os problemas são fáceis de identificar. A empresa vai ver de maneira positiva essa reclamação, se vier com sugestões. A pessoa será vista como criativa”.

Toque de amigo

Nem sempre a pessoa que se queixa a todo o momento percebe que está incomodando ou prejudicando a própria carreira. Em muitos casos, ela pensa que está somente reivindicando os direitos, sem saber que pode estar exagerando. Por isso, os colegas de trabalho têm função fundamental de “abrir os olhos” dela.

“É importante que aponte a questão para a pessoa. Pode questioná-la e dizer que existem regras. Mostre que há formas de desenvolver o trabalho mesmo com os problemas apontados. Diga que ela pode ser mal vista pelas outras pessoas, porque estão todas na mesma situação, mas ninguém se queixa a todo o momento”.

Quando o profissional que percebe a constante reclamação é o chefe, a situação fica mais complicada para o “reclamador”. Isso porque a abordagem do líder será mais direta, já que as queixas freqüentes podem afetar toda a equipe.

Caso tem solução?

De acordo com Gláucia, depois do “toque” dado pelos colegas de trabalho, é momento de se controlar. A pessoa que tem costume de reclamar deve pensar bem antes de fazer uma crítica. Será que ela tem relação direta com o meu trabalho? Está impedindo a realização das atividades? É relacionada com algo que foi prometido, mas ainda não foi cumprido? Avalie o quanto tem de razão.

Outro ponto é levar a questão para quem realmente tem relação com ela. Casos de salário ou benefícios, por exemplo, devem ser relatados para o profissional de RH (Recursos Humanos), euquanto aqueles sobre os sistemas utilizados, para o líder mais próximo. “Não fique comentando com qualquer um, porque é ruim, vira fofoca”, disse Gláucia.

Ainda de acordo com ela, quando as queixas são relacionadas às atividades realizadas, pode ser que a mudança de emprego resolva a situação: esse é o famoso caso da insatisfação. Mas quando é com relação à empresa, a queixa pode ser um hábito da pessoa e, então, não haverá lugar ideal para trabalhar. Nesse caso, a solução é rever o comportamento.