Mais de 1,4 milhão de crianças trabalhavam em 2006, aponta IBGE

Cerca de 237 mil crianças entre 5 e 9 anos trabalhavam em 2006, e 1,2 milhão, entre 10 e 13 anos. Quase a metade não recebia

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Em 2006, 1,4 milhão de crianças com idades entre 5 e 13 anos trabalhavam no país, apesar da legislação só permitir o trabalho, como aprendiz, a partir dos 14 anos. Os dados são do Suplemento Educação e Trabalho Infantil da Pnad 2006, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (28).

No ano analisado, havia 237 mil crianças entre 5 e 9 anos trabalhando, enquanto entre as de 10 a 13 anos havia 1,2 milhão.

O estudo também mostra que a maioria dessas crianças trabalha em atividades agrícolas e não-remuneradas. Comparando com 2004, os resultados da pesquisa não se alteraram muito, e a inserção na atividade econômica das crianças entre 5 e 13 anos continuou em 4,5%.

Outras faixas etárias

Aprenda a investir na bolsa

Entre os adolescentes entre 14 e 15 anos, quando a legislação permite o trabalho como aprendiz, 1,3 milhão trabalhavam em 2006. Já entre aqueles com 16 a 17 anos, quando o trabalho já é permitido, 2,4 milhões estavam ocupados.

Entre as pessoas com 15 a 17 anos, 24,8% deixaram de freqüentar a escola para iniciar a vida profissional ou ajudar nos afazeres domésticos.

Trabalho não remunerado

A pesquisa também aponta que quase a metade (47,3%) dessas crianças e adolescentes não recebia pelo trabalho, sendo que 14,1% ganhavam menos de 25% do valor de um salário mínimo.

Em 2006 o rendimento médio mensal do trabalho desses jovens foi estimado em R$ 210, sendo que no Sudeste era de R$ 242, Sul, R$ 268; Centro-Oeste, R$ 245; e Nordeste R$ 126. Em todo o Brasil o rendimento das mulheres era menor do que o dos homens.

Nesse período, as crianças entre 5 e 17 anos cumpriam em média 26 horas de trabalho por semana. Porém, 28,6% dessa população trabalhava 40 horas ou mais por semana.

Opção pelo trabalho

Por outro lado, dos 5,1 milhões de crianças entre 5 e 17 anos, que trabalhavam em 2006, 77,9% o faziam porque queriam. Além disso, a maior parte desses jovens (63,9%) não entregava os rendimentos para os pais.

PUBLICIDADE

A pesquisa aponta também que 57,4% não recebeu treinamento para evitar machucados ou doenças de trabalho, e 273 mil crianças sofreram acidentes de trabalho em 2006.