Mais da metade dos profissionais não trabalha na área de formação

53% dos formados optam por outras áreas, revelando que as universidades não estão em sintonia com o mercado

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SÃO PAULO – As universidades brasileiras não estão formando profissionais adequados ao mercado de trabalho. A afirmação foi feita nesta terça-feira (12) pela coordenadora de projetos do Observatório Universitário, Violeta Monteira.
O comentário foi uma resposta aos dados divulgados pela pesquisa “Ensino Universitário, Corporação e Profissão: Paradoxos e Dilemas Estratégicos no Brasil”, da mesma organização. O levantamento mostrou que mais da metade dos formados – 53% – não exerce sua função de formação após sair da universidade.

“A pesquisa leva em conta 21 áreas, escolhidas com base nas profissões regulamentadas. Apesar de não serem todas, é um dado bastante significativo”, explicou Violeta. A coordenadora ressaltou que os dados não revelam desemprego, mas sim profissionais capacitados para determinadas áreas que exercem cargos em outras não correspondentes.

Escolhas

Segundo ela, a representatividade daqueles que não atuam em sua área escolhida mostra um problema maior: o modelo de ensino brasileiro. “Os jovens têm de fazer escolhas muito cedo. O estudo no Brasil é profissionalizante, a pessoa escolhe a área para conseguir um emprego”, explicou.

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Isso, conforme ela, levando em consideração a realidade socioeconômica da população é um grande responsável pelo resultado. “O jovem entra na universidade para conseguir um espaço no mercado de trabalho e depois descobre que tem que esperar cinco anos para conseguir a vagas“, ressaltou.

Segundo Violeta, o que entra em jogo não é a idade da pessoa na hora de se escolher uma carreira, mas sim o modo como isso ocorre. “Nos Estados Unidos, por exemplo, se aprende a profissão na pós, e não na graduação.”
A coordenadora explicou que alguns países adotam um tipo de ensino pós-médio, onde o aluno se prepara para definir que área específica atuará e ainda tem a oportunidade de ser absorvido pelo mercado de trabalho. Este período dura em média dois anos. Depois disso, já praticamente inserido no dia a dia da profissão, fica mais fácil optar.

Menos específico

“O mercado pede profissionais menos específicos”, explicou. E é por isso que as empresas investem tanto em trainee. Porque o estudante aprende no mercado”, explicou.

Conforme Violeta, o estudante deveria ter um conjunto de conhecimentos para ser direcionado. E ela alerta que a situação deveria ser mudada. “Mas na reforma da Educação que está sendo discutida, não é levado em consideração o modelo de curso”, concluiu.