Maior poder de compra e alívio da inflação levam consumidor ao comércio

Em janeiro, setores como alimentos, farmácias e eletrônicos foram incentivados pelo aumento da massa salarial

SÃO PAULO – O aumento do poder de compra da população, bem como a desaceleração da inflação, fizeram setores do comércio varejista registrarem crescimento no volume de vendas em janeiro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (13) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 7% no período em questão.

O desempenho é decorrente do crescimento da massa de salários de 8,3% sobre janeiro do ano passado, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego. Além disso, houve desaceleração da inflação no grupo Alimentos, que passou de uma taxa de 9,8% no primeiro semestre do ano passado para 1,5% de julho de 2008 a janeiro passado, segundo o IPCA (Índice de Produtos ao Consumidor Amplo).

Salário maior, mais compras

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Produtos farmacêuticos também foram mais vendidos, diante do aumento da massa de salários, junto com a diversificação do mix de produtos comercializados e a ampliação das vendas de produtos genéricos.

A atividade, que agrega artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, obteve a quarta maior participação na taxa global do varejo – que cresceu 6% entre janeiro de 2008 e 2009 -, com alta de 8,9%.

Redução de preços

A redução de preços também influenciou o desempenho do setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação. Neste caso, o volume de vendas cresceu 15,4% entre janeiro de 2008 e de 2009.

“Dentre os fatores que vêm determinando este desempenho, destacam-se a redução de preços dos produtos do gênero (-9% e -3% nos últimos 12 meses para os itens microcomputadores e celulares, respectivamente, segundo IPCA), conjugada com a crescente importância desses produtos nos hábitos de consumo das famílias”, diz o IBGE.

Desempenho negativo

Se o cenário está positivo para alguns setores do comércio, com a população apta a consumir, em outros, a situação piorou. Este é o caso de tecidos, vestuários e calçados, com queda no volume de vendas de 4,7% entre janeiro deste ano e do ano passado.

O resultado pode ser explicado pelos aumentos de preços no ramo, uma vez que o item variou 7,4% nos últimos 12 meses, de acordo com o IPCA.

Veículos, motos, partes e peças tiveram queda de 0,3% no volume de vendas, o que foi causado pelas reduções de crédito e prazos de financiamento, mais deteriorações das expectativas do consumidor.