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Mágico? Como Jeff Bezos se tornou bilionário com uma empresa que não lucra

Com receitas de US$ 90 bilhões, a empresa já é uma gigante mundialmente, mas seu lucro nunca decola

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SÃO PAULO – Lucros são a função social de qualquer empresa, não? Jeff Bezos, fundador da Amazon, parece acreditar que esta frase é besteira: sua empresa nunca reporta lucros e provavelmente nunca irá – e ele está completamente satisfeito com isso. 

Com receitas de US$ 90 bilhões, a empresa já é uma gigante mundialmente. Mas seu lucro (ou prejuízo) sempre fica muito próximo de zero. Com essa mentalidade, Bezos criou um tipo de negócio revolucionário (e ganhou muito dinheiro com isso): o que nunca lucra, sempre reinveste seus lucros em novos modelos de negócios e gera muito valor para seu dono no mercado acionário. 

Sendo a Amazon do jeito que é Bezos se tornou o 20º homem mais rico do mundo, de acordo com o ranking da Bloomberg, com uma fortuna estimada em US$ 28,6 bilhões. Mais de 90% disso está em ações da empresa – que vem registrando alta praticamente desde 1999 – e o restante, US$ 2,6 bilhões, é dinheiro líquido. 

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Além de novos negócios, a Amazon também deixa boa parte de seu potencial lucro em dois “luxos” para seus clientes: frete grátis e preços mais baixos que a maioria de seus concorrentes. Com isso, acaba sendo muito competitiva frente os rivais e ganhando muito market-share por conta disto. Um plano de negócios que o permite ficar na liderança.  

A companhia também tem muito potencial de lucro: imagine se, de repente, Bezos mudasse a política da empresa e resolvesse cobrar um pouco mais caro para lucrar? Com vendas em US$ 90 bilhões, é capaz que ele conseguisse grandes lucros com essa mudança. Com isso, muitos analistas de mercado norte-americanos afirmam que as pessoas compram o potencial da Amazon desde 1999.

Contudo, isso dificilmente vai acontecer: ele quer que a empresa seja deste jeito e não pretende instituir nenhuma mudança nos próximos anos. Para ele, os investidores já sabem que a Amazon nunca será uma empresa de gigantescos lucros, e não se importam com isso. Com a estratégia, pode não ser uma empresa de grandes lucros, mas será sempre competitiva e gerará grandes receitas.  

Não é Walmart
Uma das grandes comparações que se fazem com a Amazon é com a varejista Walmart, que também demorou para lucrar, investindo em conseguir uma vantagem em participação de mercado e os melhores processos logísticos possíveis.

Mas já era altamente lucrativa no ponto que a Amazon está: líder de mercado e com alguns dos melhores processos logísticos possíveis. Não é mais a mais barata do mercado, já que existem algumas outras empresas que oferecem descontos maiores.