Mães 35+ no mercado de trabalho exigem nova atitude das empresas, aponta Infojobs

Pesquisa revela que 48% das mulheres chegam à maternidade após os 35 anos; falta de flexibilidade corporativa ameaça a retenção de talentos sêniores e lideranças femininas

Élida Oliveira

Mãe segura bebê (Foto: Unsplash)
Mãe segura bebê (Foto: Unsplash)

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As mulheres no mercado de trabalho estão se tornando mães mais tarde, com quase metade (48%) chegando a essa fase da vida na faixa etária acima dos 35 anos (35+), de acordo com uma pesquisa do Infojobs divulgada com exclusividade para o InfoMoney. Entre elas, 20% têm de 35 a 44 anos e 28% estão acima dos 45 anos.

Esta realidade está mudando a dinâmica das empresas, já que essas mulheres chegam à maternidade já inseridas em projetos relevantes e ocupando posições de liderança intermediária, com trajetórias de consolidação, segundo Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.

“A maternidade passou a acontecer em momentos diferentes da carreira e isso exige que as empresas revejam não apenas políticas internas, mas a forma como enxergam desenvolvimento, permanência e crescimento profissional ao longo da vida”, afirma.

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Maternidade tardia impacta liderança e retenção de talentos

Prado explica que, nesta etapa da vida pessoal e profissional, essas mulheres tendem a ter maior clareza sobre seus limites e prioridades, o que pode criar tensão em modelos rígidos de trabalho. 

A pesquisa indicou que 25% deixaram de se candidatar a vagas de maior responsabilidade em empresas que não ofereciam suporte para equilibrar carreira e família, e 13% relataram que preferiram estabilizar na função atual para conciliar as prioridades. Para as empresas, os dados apontam para um risco de perder talentos e oportunidades de ganhos.

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Ao mesmo tempo, 54% apontam políticas reais de flexibilidade e apoio corporativo como fator essencial para conciliar maternidade e ascensão profissional, enquanto 53% destacam a importância de lideranças inclusivas.  

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Falta de flexibilidade afasta profissionais sêniores

Prado afirma que o mercado ainda reage de forma lenta a essa transformação, porque as políticas internas continuam sendo pensadas para um perfil profissional que está em mutação. Essa falta de adaptação e flexibilidade reflete no dado em que 42% dizem não se sentir à vontade para priorizar demandas dos filhos sem receio de prejudicar o crescimento profissional, enquanto 30% relatam aumento de questionamentos sobre horários e dedicação após a maternidade.  

“Quando maternidade e carreira são tratadas como caminhos incompatíveis, todos perdem. A profissional, que vê seu potencial limitado, e a empresa, que desperdiça talento. O avanço real passa por criar estruturas de apoio para que nenhuma mulher precise escolher entre crescer no trabalho e estar presente na família”, diz Ana Paula Prado.

O Censo de 2022, divulgado no ano passado, já apontava essa mudança na dinâmica da fecundidade do país. Os dados indicavam que as mulheres mais escolarizadas estavam tendo filhos mais tarde – na média, quem tinha ensino superior completo estava tendo filho acima de 30 anos.