Lula discutirá com governadores e prefeitos redução de tributos

Medida seria temporária e visaria à garantia de empregos, de acordo com proposta da CUT, apresentada na segunda

SÃO PAULO – Na segunda-feira (19), a CUT e as centrais sindicais se reuniram com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para debater medidas anticrise, em prol dos empregos. Para se ter uma ideia, em dezembro, o estado de São Paulo perdeu quase 285,6 mil postos de trabalho com carteira assinada, mais da metade das vagas criadas ao longo de 2008.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) apresentou a Lula uma lista de reivindicações. Entre elas, está a redução temporária da carga tributária e dos tributos, nas três esferas do Poder Público. Lula informou que marcará uma reunião com prefeitos e governadores no início de fevereiro, para encaminhar e defender a sugestão da central sindical. Para ele, a medida seria eficaz.

Garantias

O governo ainda garantiu às centrais que haverá reuniões periódicas (quinzenais, em principio) entre governo e trabalhadores, com a participação de empresários, quando necessário, em uma espécie de gabinete de acompanhamento da conjuntura e de formulação de propostas. A tarefa de consolidar a prática foi dada a Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência da República.

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Quanto às contrapartidas sociais, ficou acertada a participação direta e permanente das centrais no acompanhamento das empresas tomadoras de empréstimos com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que deverão manter suas vagas de emprego.

Lula prometeu ainda o aumento do salário mínimo para R$ 465, a partir de 1º de fevereiro. O reajuste incorpora a inflação de 2008 e o percentual de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no País), registrado dois anos antes. Em 2009, portanto, a alta deve ser de 5,7%.

Participaram da reunião, além de lideranças sindicais, técnicos do Dieese. Do governo, estiveram presentes a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, os ministros Paulo Bernardo, do Planejamento, José Pimentel, da Previdência, e Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, e o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado.

Mobilização

Esta manhã, a CUT deu início ao calendário de manifestações em defesa dos empregos, dos salários e dos direitos dos trabalhadores. Metalúrgicas do ABC paulista, de Taubaté e de Sorocaba, no estado de São Paulo, estão sendo os primeiros alvos das mobilizações. O presidente da CUT, Artur Henrique, participa do ato em frente à Mercedes, em São Bernardo do Campo.