Licença-maternidade: mães ainda são demitidas na volta ao trabalho

"Problema ainda é comum no Brasil e tem muito a ver com falta de planejamento das mulheres", diz presidente da ABRH-AM

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SÃO PAULO – De acordo com a presidente da ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos da Amazonas), Elaine Medeiros, ainda é comum que as mulheres que voltam ao trabalho, após a licença-maternidade, sejam demitidas pelas empresas, que buscam profissionais que possam dedicar mais tempo às atividades.

“Infelizmente, esse problema ainda é comum no Brasil e tem muito a ver com a falta de estrutura ou de planejamento das mulheres profissionais no retorno ao trabalho”, declarou.

De acordo com Elaine, é importante que as mulheres planejem e construam uma estrutura familiar que apoie os cuidados com as crianças. Do contrário, elas terão de se ausentar muito e correrão riscos de perder o posto de trabalho, uma vez que não estarão dedicadas e concentradas o necessário ao trabalho.

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“E, normalmente, as empresas optam por efetuar desligamentos ao ter de enfrentar problemas como a falta de motivação para o trabalho ou acidentes”, disse ela.

Onde acontece?

A demissão de mães, de acordo com a presidente da ABRH-ES, Ângela Abdo, acontece mais em empresas de linha de produção, de pequeno e médio porte ou em função do fato de que, durante a ausência da mulher para a licença-maternidade, seu posto de trabalho foi preenchido com sucesso por outro profissional.

Porém, também acontece bastante o inverso: a mulher volta da licença-maternidade e, para poder se dedicar mais aos filhos, pede demissão.

Complexidade

De acordo com o presidente da ABRH-Nacional, Ralph Arcanjo Chelotti, é bastante complexo o fenômeno da maternidade no ambiente de trabalho, o que preocupa tanto as empresas quanto a sociedade no geral.

“O ambiente de trabalho, cada vez mais competitivo, tem problemas para assimilar a mulher profissional que se torna mãe. Notamos que as empresas que lidam com essa questão com mais dificuldades são as pequenas e médias, justamente a grande maioria no Brasil, o que revela que o problema é, de fato, abrangente”, afirmou.

“A questão da mãe no trabalho precisa ser melhor compreendida pelas empresas e pela sociedade. Entendo que as empresas deveriam ser estimuladas a dar apoio à mãe profissional, pois isso ajudaria muitas a preservar essas profissionais. Há muitas alternativas a serem consideradas, como creches nas empresas, trabalho à distância, entre outras alternativas”, finalizou.

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