Jovens talentosos: selecioná-los é fácil, já a retenção é tarefa para poucos

Eles chegaram com a "cara" da nova era: com uma visão muito mais ampliada de mundo, são impacientes e insatisfeitos

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SÃO PAULO – “As empresas sentiram na pele os efeitos da globalização, da internet, da entrada maciça da mulher no ambiente de trabalho e as alternativas dos pais para educar seus filhos. Mas se esqueceram dos impactos que emergiriam quando essa moçada chegasse para ocupar seu espaço no mundo. É… eles cresceram! Batizados de “Geração Y”, chegaram para tirar o sono dos profissionais de RH e gestores no que tange à retenção de talentos”, afirma a diretora da Leme Consultoria, Márcia Vespa.

Segundo a especialista, os jovens chegaram com a “cara” da nova era: com uma visão muito mais ampliada de mundo, são impacientes, rápidos em suas decisões, insatisfeitos, e totalmente orientados para a satisfação imediata de seus anseios e sonhos, como se não tivessem tempo a perder.

“Dada à imprevisibilidade do mercado, é natural que as organizações busquem trazer o jovem e sua capacidade de inovação, seu desejo de aprender, de se engajar em projetos desafiadores, e, claro, de encarar tudo isso com bom humor. As empresas estão buscando gente de bem com a vida, pois se descobriu que pessoas felizes dão mais lucro”.

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O que mais atrai nos profissionais dessa geração é a ousadia, o desejo de realização, a disposição para enfrentar grandes desafios, a capacidade de inovar e enxergar além. Por isso, são mais competitivos e tê-los é uma vantagem frente à concorrência.

“Ávidos por desafios, e não necessariamente por cargos, eles clamam por projetos desafiadores, envolventes, bem como a oportunidade de conviverem, nesses projetos, com pessoas inteligentes e bem-sucedidas. É o que tem feito a chama do entusiasmo durar. O projeto acaba. Comemora-se, e outro vem à tona. Novos desafios, gente nova, novas responsabilidades. Isso não enjoa!”, explica Marcia.

Dica aos gestores e profissionais de RH

Segundo Márcia, muitas empresas estão amargando a tristeza, a angústia e, por que não dizer, o prejuízo causado pela perda de talentos que fez emergir a certeza, ainda que provisória, de que era a coisa certa a fazer naquele momento. Contratar pode ser caro, mas perder é desperdício. Daí surge a dúvida: o que levar em consideração num processo seletivo para que o tiro não seja curto?

“Tenho visto empresas investirem grandes somas em treinamento e doarem a custo zero um profissional para a concorrência. Sugiro que as organizações reinventem suas práticas de gestão de pessoas, a começar pela metodologia adotada no processo seletivo. Selecionar por competência pode e deve ser uma prática mais habitual se bem aplicada para identificar não somente grandes potenciais, mas, principalmente, se há alinhamento com os valores da empresa”.

Liderança deve ser aberta e criativa

Ela enfatiza que outro ponto a considerar é o tradicional plano de carreira. “O efeito do crescimento gradativo, degrau a degrau, moroso e interminável, normalmente na vertical, destoa totalmente da velocidade do mundo, quiçá dos jovens profissionais impacientes e tipicamente infiéis que chegam ao mercado de trabalho”.

E conclui: “Crie um diferencial olhando para as pessoas, antes que alguém faça isso por você. Seja criativo. Se tiver dificuldade, chame-os para o seu lado. Ali tem idéia que não acaba mais. Idéias implantadas e celebradas também retêm talentos. Afinal, talento atrai talento”.

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