Jovens se desiludem com mercado de trabalho por falta de informação

Se, antes da faculdade, eles costumam ter uma visão romantizada da profissão, mais tarde a realidade se mostra

SÃO PAULO – Imagine a situação: o jovem, empolgado com a decisão de estudar medicina, se esforça para passar no vestibular e conseguir uma daquelas disputadas vagas nas melhores universidades. Ele consegue, mas se depara com uma nova missão: se formar. Para isso, passa noites em claro, estudando com afinco. Essa dedicação dura anos e anos.

Com o diploma embaixo do braço, o recém-formado vai procurar um emprego. Com alguma dificuldade, encontra, mas as condições não são as esperadas. O salário é baixo, as horas de trabalho são exageradas e os superiores não conseguem estimular a equipe. Pior do que isso: há muita competição interna, porque muitos de seus colegas de trabalho têm medo de perder o emprego.

A solução é montar um consultório, mas esse sonho custa caro e os seguros de saúde não pagam o quanto ele gostaria por consulta. Sem esperança, o jovem profissional conclui que ser médico não é tudo isso que sempre imaginou.

Realidade

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Apesar dessa ser uma situação criada, trata-se de uma verdade atual: muitos jovens estão desiludidos com o mercado de trabalho. Se, antes da faculdade, eles costumam ter uma visão romantizada da profissão, já ao realizar os primeiros estágios, a realidade se mostra com toda sua força.

Na opinião do consultor do Grupo Soma, Celso Eduardo da Silva, é comum os jovens se desiludirem com o mercado de trabalho. O motivo é a falta de orientação. “As pessoas estão indo para a faculdade sem ter um conhecimento profundo das profissões que escolheram e de sua própria capacidade. A surpresa acaba sendo desagradável”.

Na avaliação do consultor, as escolas deveriam ensinar aos alunos como descortinar suas habilidades, bem como poderiam mostrar como funciona de fato cada área de atuação, sem ‘romantizar’. “As pessoas não costumam se decepcionar com a profissão em si, mas com os resultados que esperavam atingir por meio dela”, adverte. O problema é que realização profissional e pessoal estão atreladas.

Solução

A saída sugerida pelo especialista é a criação de uma matéria chamada orientação profissional. “O próprio governo poderia criar uma matéria a ser lecionada no último ano do ensino médio, que ampliasse o conhecimento do jovem sobre o mercado de trabalho. Ela deveria estar na grade curricular, assim como a matemática e o português”.

Essa orientação poderia ser estendida aos pais dos alunos, para que eles auxiliem seus filhos na escolha da melhor profissão. “Os pais devem usar a lógica. Isso significa que pedir para que seus filhos façam direito porque a família é composta por advogados pode prejudicar. As pessoas precisam escolher aquilo que gostam, de acordo com suas habilidades. Assim, têm menos chances de se desiludirem com o mercado”, aconselha.

Silva conta que muitos jovens perguntam a ele quais são as profissões que dão dinheiro. A resposta é que todas as profissões têm seu valor e por meio de todas elas é possível ter retorno financeiro. “O sucesso vem do que ele gosta de fazer e consegue fazer bem. Os benefícios são conseqüência de fazer o que satisfaz”, garante.

Dica de psicóloga

Na avaliação da psicóloga Rosemary Araújo, que trabalha há 17 anos com orientação vocacional, a melhor maneira de escolher a carreira é conversando com profissionais das áreas de interesse, para descobrir a atividade que daria mais prazer no dia-a-dia. “É uma forma de descobrir se, afinal, ele possui a rapidez de raciocínio necessária à determinada profissão, ou o poder de concentração importante a outra”, explica.