Japão quer reduzir jornada de trabalho para aumentar fertilidade

Projeto sugere reduzir jornada de trabalho para 4 horas/dia para trabalhadores com filhos de até 6 anos de idade

SÃO PAULO – Um inusitado projeto está sendo analisado pelo governo do Japão. O plano é reduzir o número de horas trabalhadas para aumentar a fertilidade dos japoneses e, com isso, tentar impedir a redução populacional que deve ser percebida já a partir de 2006.

Segundo as estatísticas divulgadas pelo governo local, a taxa de fertilidade – número de crianças por mulher – caiu para 1,29 em 2004, o número mais baixo registrado no país. Como comparação, basta pegar os dados do país nipônico em 1947. Naquele ano, a taxa de fertilidade foi de 4,45.

Isso faz com que as projeções para 2018 sejam alarmantes: 40% dos japoneses serão aposentados, uma queda brutal da força de trabalho, que deve gerar um rombo significativo na Previdência do país. A partir de 2010, a queda no crescimento econômico deverá ser de 0,8%.

Jornada de 4 horas

O novo plano visa reduzir as horas trabalhadas para quatro por dia (vinte por semana) para todos os pais com crianças até seis anos, idade na qual a criança geralmente ingressa na escola no Japão.

Atualmente, os trabalhadores japoneses têm uma carga de 40 horas semanais, e os pais com crianças até três anos de idade podem trabalhar duas horas a menos por dia.

Resistência

A proposta não prevê, porém, como o mercado conseguirá se sustentar com esta redução na jornada de trabalho. Resta uma grande dúvida quanto a quem substituirá o trabalhador enquanto ele estiver em casa, e se isso não terá repercussões negativas na remuneração dessa parcela dos trabalhadores.

Além disso, especialistas suspeitam da eficácia do projeto, alegando que muitos se valerão desta regra para poder escapar de suas obrigações profissionais. Apesar disso, parecem concordar que será um incentivo às mulheres para que continuem a trabalhar após a gestação. O trabalho após a maternidade ainda é visto com muita reserva pela sociedade japonesa, o que tem contribuído para a decisão da maioria das mulheres de adiar ou desistir da maternidade.