Japão: falta de interesse dos jovens pelo trabalho prejudica economia

Fenômeno pode reduzir em meio ponto percentual o crescimento econômico anual no período entre 2010 e 2020

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SÃO PAULO – Conhecido por sua ética profissional, o Japão agora se vê diante de uma tendência preocupante: o aumento do número de jovens que não estão estudando, fazendo algum tipo de treinamento ou trabalhando.

Batizados de NEETS – sigla que vem do inglês e significa não estudando, trabalhando ou em treinamento, esses jovens adotam uma postura mais casual para com o trabalho e preferem esperar até conseguirem o emprego dos seus sonhos. Aliás, a sigla foi criada na Inglaterra, ao final da década de 90, e também se referia aos jovens que não estudavam ou trabalhavam.

Em 2020 NEETS serão 1,2 milhão

Em suas estatísticas, o Ministério do Trabalho do Japão, considera como NEETS os japoneses com 15 e 34 anos, que saíram do mercado de trabalho e não voltaram a ser reintegrados. Trata-se de jovens que não procuram emprego e preferem viver com o apoio financeiro dos pais. Como não procuram emprego, esses jovens não fazem parte das estatísticas de desemprego do Japão.

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Vale notar que os NEETS ainda são minoria: representam apenas 2% dos 33 milhões de japoneses com idades entre 15 e 34 anos. Porém, o governo japonês já se preocupa com o seu avanço: entre 1993 e 2004 o total de NEETS teria crescido 60%, para 640 mil. O economista Takashi Kadokura estima que, em 2020, o Japão conte com um total de 1,2 milhão de NEETS.

Economia deve crescer menos

O fenômeno vem preocupando as autoridades, não apenas por que vai de encontro uma das principais características do povo japonês – que é a ética e responsabilidade com o trabalho – mas também porque pode prejudicar o crescimento da economia.

Afinal, diante do envelhecimento da população – estima-se quem em 2007 mais de 20% da população japonesa tenha acima de 65 anos, percentual que deve subir para 35% em 2050, se torna ainda mais grave. Juntamente com a queda na taxa de natalidade, essa tendência deve levar a uma redução significativa da população economicamente ativa (PEA).

Se em 2000 a PEA no Japão equivalia a 68% da população total, em 2050 esse percentual deve cair para 54%. Kadokura estima que o fenômeno NEETS pode reduzir em meio ponto percentual o crescimento econômico anual previsto para o período entre 2010 e 2020. Diante disso, ele defende a adoção de políticas educacionais no sentido de orientar os jovens sobre o impacto do avanço dos NEETS.