Itaú atualiza suas projeções para as ações do setor industrial em 2011

Custos trabalhistas elevados e apreciação do real são as principais ameaças para as companhias no próximo ano

SÃO PAULO – O Itaú atualizou suas estimativas para as empresas do ramo industrial, incorporando os resultados do terceiro trimestre do ano e as premissas macroeconômicas para o País. Segundo a analisa Renata Faber, a escolha das ações do setor ficou mais “desafiadoras”, em decorrência do rali de alta este ano e do cenário incerto para a demanda e margens de algumas empresas.

Assim, as recomendações de outperform (desempenho acima da média do mercado) foram mantidas para Iochpe (MYPK3) e Randon (RAPT4), bem como a de market perform (desempenho em linha com a média do mercado) para WEG (WEGE3), Mills (MILS3), Duratex (DTEX3) e Marcopolo (POMO3 , POMO4). Já a Romi (ROMI3) teve sua recomendação rebaixada para market perform.

Custos trabalhistas
Os custos trabalhistas têm se tornado uma grande preocupação para as companhias industriais. Segundo a analista, o Brasil sofre uma carência de capital humano e apresenta um mercado de trabalho aquecido, resultando em pressões salariais para reajustes, impactando diretamente nos lucros das empresas.

Os custos trabalhistas para as empresas de Maquinário e Autopeças devem aumentar mais do que a inflação em 2011, sendo que o último reajuste salarial, em setembro de 2010, foi de 9%. Dessa forma, as margens esperadas para o próximo ano devem ser menores, com exceção da WEG, que apresentou uma resposta mais atrasada ao ciclo de investimento. 

Empresas terão que buscar posicionamento externo
Outro ponto de tensão é o obstáculo em relação à infraestrutura, que, associado à valorização do real, tende a tornar as companhias menos competitivas no longo prazo. Assim, a corretora considera um diferencial empresas que possuem unidades no mercado internacional, como a Iochpe, Weg e Marcopolo.

Construção civil aparece dividido
Enquanto para a Duratex reside a expectativa de manutenção do ritmo de crescimento, proporcionado, principalmente, pela elevada utilização da capacidade produtiva da Divisão Madeira, a Mills é analisada como detentora de estratégias “pouco estimulantes” para o curto prazo. No longo prazo, a visão é bem otimista.

A Duratex ainda conta com um potencial de crescimento forte, dados os investimentos recentemente anunciados na Deca. Porém, a Mills deve apresentar um resultado fraco no primeiro semestre de 2011, uma vez que o ramp-up das novas unidades pode causar declínio inicial nas margens, além do adiamento de alguns projetos de construção pesada. 

Opções do Itaú para o setor
Segundo a analista, a Iochpe é a melhor aposta no setor, com perspectivas positivas, sobretudo em relação à geração de caixa da empresa, fundamental para a aceleração do programa de internacionalização da empresa. Do outro lado, a Romi deverá sofrer bastante com a valorização do real, com o consequente aumento da concorrência, obrigando-a reduzir preços.

A Randon está bem posicionada na produção de caminhões e a forte geração de caixa da companhia permitirá o início de um novo programa de investimentos, com aquisições fora do País, de acordo com o banco. A Mills deverá seguir o processo de crescimento, algumas divisões podem compensar o desempenho moderado da divisão de Construção Pesada, como é a caso das divisões Jahu e Locações de Equipamentos.

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O cenário para a Marcopolo “continua a se mostrar brilhante”. No front interno, os investimentos do governo devem continuar beneficiando a empresa.” No que se refere ao mercado externo, a Índia deve continuar a representar o foco principal da companhia, enquanto o México está rapidamente se recuperando, sendo que a empresa está também lançando suas operações no Egito”, concluiu a corretora.

Por fim, a WEG tende apresentar resultados mais elásticos frente seus pares, dado o perfil de sua carteira de longo prazo. A analista do banco espera que o cenário de GDT (Geração, Distribuição e Transmissão de energia) melhore, e a receita da WEG deve provavelmente retomar seu crescimento anual de 15% em 2011, com a recíproca melhora das margens.