Ipea: diferença de renda entre negros e brancos é menor entre mais jovens

Principal fator apontado pela pesquisa é a diminuição do da discriminação com os trabalhadores mais jovens

SÃO PAULO – A renda média dos trabalhadores negros no Brasil ainda é bastante inferior que a dos brancos. Apesar disso, uma pesquisa recente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que, entre as gerações mais jovens, a diferença entre os rendimentos é menor.

No quadro geral, a desigualdade entre raças durante as últimas duas décadas se manteve praticamente estável. Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o estudo do IPEA mostra que em 1987 a média de remuneração dos brancos era 78% maior que a dos negros, percentual que subiu para 81% em 2002.

Esse diferencial seria fruto de vários fatores, como o nível educacional e ocupacional, assim como a discriminação, mas tende a cair nas gerações mais jovens. Enquanto a diferença salarial entre os indivíduos que nasceram entre 1967 e 1969 é de 60%, para os que nasceram entre 1949 e 1951 ela sobe para 90%.

Queda da discriminação

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O principal fator apontado para isso é a queda da discriminação: já que a transmissão de informações entre gerações teria aumentado o número de oportunidades de trabalho das novas gerações de trabalhadores negros. Até porque o estudo não conseguiu evidenciar nenhuma melhora nos níveis de desigualdade educacional ou ocupacional.

Tanto que a diferença em termos de anos de estudo entre trabalhadores brancos e negros não mudou de forma significativa no período entre 1987 e 2002, caindo de 2,26 anos para 2,11 anos. Também não foi possível constatar diferenças significativas no nível de formalidade entre os dois grupos de trabalhadores, mesmo quando comparadas para diferentes grupos etários.

A questão do preconceito, porém, não pôde ser adotada como indicador único na explicação da renda menor dos negros. A desigualdade na educação os coloca em cargos com remuneração menor que exijam pouca qualificação. Por outro lado, a discriminação pode ser estatística: mesmo que um pretendente a uma vaga de emprego seja bem preparado, o empregador pode julgar antecipadamente, por sua cor de pele, que ele teve menos educação, já que as pesquisas mostram menor acesso à escola entre negros.