Inserção das mulheres no mercado de trabalho está consolidada, aponta ONU

Fator está associado à maior escolaridade feminina, bem como ao aumento da autonomia econômica e realização pessoal

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SÃO PAULO – Segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado nesta segunda-feira (8), o aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho – tendência que se verifica desde a década de 1970 no Brasil – consolidou-se nos últimos anos.

Denominado Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A Experiência Brasileira Recente, esse levantamento demonstra que o aumento intenso e persistente da inserção feminina é uma das tendências mais claras de mudança na estrutura do mercado de trabalho nas últimas décadas.

Essa progressão demonstra uma tendência do longo prazo, de acordo com a ONU, e está associada ao aumento da escolaridade das mulheres, à redução do número de filhos, a uma maior expectativa feminina de autonomia econômica e realização pessoal.

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Alem disso, ainda existe uma maior necessidade, intenção ou disponibilidade de contribuir para a manutenção ou elevação da renda familiar, entre outros fatores.

Aumento da oferta de emprego

Nos últimos anos, o Brasil apresentou melhora expressiva em indicadores do mercado de trabalho. Entretanto, não diminuiu, em níveis satisfatórios, a exclusão social e econômica, principalmente em relação às mulheres.

No início dos anos 2000, foi observada uma oferta maior de emprego, uma geração maior de trabalho com carteira assinada, além de uma reversão da queda dos rendimentos obtidos com o trabalho. E tudo isso, frente a um cenário de crescimento econômico.

“No entanto, ainda há uma distância significativa em relação à remuneração, considerando os fatores de raça e gênero, e isso não condiz com a condição de trabalho decente”, explica o diretor do escritório no Brasil da Cepal, Renato Baumann, à Agência Brasil.

Entre a luz e a sombra

Baumann destaca ainda que os avanços, que ele chama de “áreas de luz”, não podem esconder as ainda existentes “áreas de sombra”, em relação ao mercado de trabalho no Brasil.

O relatório indica que “ainda é alta a desigualdade entre as taxas de participação das mulheres e dos homens, o que reflete as dificuldades que elas enfrentem, em especial as mais pobres e menos escolarizadas, para ingressar e permanecer no mercado de trabalho”.

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“São as mulheres pobres que encontram maiores dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, como conseqüência, entre outro fatores, dos obstáculos que enfrentam para compartilhar as responsabilidades domésticas, em particular, o cuidado com os filhos”, revela ainda o estudo.