Indústria “puxa” renda dos trabalhadores da RMSP em junho

Salário do setor privado cresce 1,2% sobre maio, mas recua nos últimos doze meses em 1,7%, segundo Seade/Dieese

SÃO PAULO – Os rendimentos da população ocupada da região metropolitana de São Paulo cresceram 1,8% em junho, na comparação com maio, subindo para uma média de R$ 1.040. Sobre junho do ano passado, há queda de 2,8% nos ganhos mensais.

Os dados fazem parte da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) divulgada nesta terça-feira (23) pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos). Vale dizer que os rendimentos analisados foram pagos em julho, mas se referem à remuneração de junho.

Salário do setor industrial é destaque

A alta nos valores médios pagos às pessoas ocupadas na região metropolitana de São Paulo decorre principalmente do aumento de 1,2% nos rendimentos de assalariados da iniciativa privada, o que elevou seus ganhos para R$ 1.047, ante os R$ 1.035 registrados em maio.

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Dentro deste grupo de profissionais, a maior elevação em junho ocorreu na Indústria, em que as remunerações dos funcionários aumentaram 2,9% sobre o mês anterior, ficando em R$ 1.259, a maior cifra apurada no total de ocupados do setor privado.

O segmento de Serviços protagonizou queda nos rendimentos de seus trabalhadores, com variação negativa de 0,9% e ganhos médios estimados em R$ 1.008. Os empregados do Comércio, por sua vez, não apresentaram variação significativa em seus salários médios de junho, uma vez que os valores pagos passaram de R$ 795 para R$ 796 na relação mensal.

Já os trabalhadores autônomos conseguiram melhorar suas rendas mensais em 0,4% no período, elevando-as para R$ 739, que é uma média bastante baixa se considerado o total da população ocupada na região metropolitana de São Paulo.

Remuneração dos informais continua em queda

Os assalariados informais, que não possuem carteira de trabalho assinada, tiveram queda de 2,3% em seus ganhos de junho, fazendo com que a média dos salários caísse para R$ 771. Os profissionais formalizados, por sua vez, viram sua remuneração aumentar 1,9% no mês e subir para R$ 1.137.

Diante do ano anterior, o comportamento dos salários das duas posições é diferente: alta de 8,4% no que se refere a pagamentos dos informais; e queda de 4,1% entre os assalariados com carteira assinada.

Diminui a disparidade salarial entre homens e mulheres

A disparidade salarial existente entre homens e mulheres foi reduzida em junho, tendo em vista que os ganhos mensais da população ocupada do sexo masculino aumentaram 1,5% no período, passando para R$ 1.253, enquanto os rendimentos femininos cresceram 2,5% entre maio e junho, passando a um valor médio estimado em R$ 784.

Por outro lado, ao se considerar a comparação com 2004, constata-se que no longo prazo a desigualdade tem aumentado, já que a remuneração dos homens caiu 1,3% em 12 meses, ao passo que a das mulheres diminuiu em 4,8%.