Indústria é o setor que mais paga PLR, afirma estudo do Dieese

Segundo o levantamento, 47% dos acordos coletivos mencionam o prêmio. Indústria reponde por 73,2% de todos os pagamentos

SÃO PAULO – Uma das principais reivindicações dos trabalhadores em todo o Brasil é ter direito a receber parte dos lucros e/ou resultados conquistados pelas empresas, a conhecida PLR.

As negociações começam a se popularizar em todo o País. De acordo com estudo do Dieese sobre o tema, baseado em dados de 2005 e divulgado nesta quarta-feira (02), 47% da empresas brasileiras prevêem em seus acordos e convenções coletivas o pagamento do prêmio, destaque para a Indústria, em especial as metalúrgicas das regiões Sul e Sudeste.

Não há um modelo ideal

Segundo o Dieese, ainda não existe um modelo ideal de PLR, porque a negociação é condicionada ao contexto macroeconômico do País, às condições econômicas específicas do setor de atividade ou da empresa, aos interesses das partes e ao grau de mobilização da categoria.

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Mesmo assim, 53 documentos garantiram o prêmio, que varia de R$ 250 a R$ 5 mil, com destaque para o setor industrial. De todos os acordos sobre o tema, a Indústria foi responsável por 73,2% de todos os pagaments de PLR. Bem longe desse nível, aparecem Serviços e Comércio, com 13,8% e 13%, respectivamente.

Metalúrgicos pagam mais

Quando as categorias profissionais são analisadas isoladamente, o destaque fica com os Metalúrgicos, responsáveis por 36,6% de todos os documentos sobre PLR emitidos pelas empresas nacionais em 2005.

Longe desse patamar, aparecem Químicos (13,8%), Comerciários (13%), Urbanitários (8,9%) e Transportes (6,5%). Na outra ponta da lista, com apenas 0,8%, surgem Jornalistas, Professores da iniciativa privada, Indústria Extrativa, Fiação e Tecelagem, Papel/Papelão/Cortiça e Autônomos no Comércio.

Empresas paulistas formalizam mais acordos

Segundo o Dieese, o Sul e o Sudeste concentraram, juntos, 63,4% dos acordos do gênero firmados em todo o Brasil. São Paulo foi o estado que mais pagou PLR em 2005: 25% dos casos. Na seqüência, surgem Paraná (14,6%), Minas Gerais e Ceará, ambos com 9,8%.

Dos 123 documentos assinados, 44,7% se referiam apenas à Participação nos Resultados (PR); 26% à Participação nos Lucros e Resultados (PLR); 18,7% são programas independente e 10,6% se referiam aos Lucros (PL).

Mobilização

Das 299 paralisações levadas a cabo por todos os empregados brasileiros no ano passado, 37, ou 12,4%, foram para reivindicar a PLR.

A importância da mobilização sindical pode ser a resposta para que o pagamento do prêmio seja mais freqüente na Indústria. O setor interrompeu o funcionamento de suas máquinas em 87 oportunidades, e em 29 delas (33,7%) as greves pediam Participação nos Lucros e/ou Resultados.