Indústria diminuiu ritmo de contratações em março, revela CNI

Elevação do nível de emprego no primeiro trimestre foi de 0,93%, taxa inferior às verificadas nos últimos seis meses

SÃO PAULO – A retração verificada nas vendas da indústria em março ainda não foi o suficiente para interromper as contratações do setor, cujo nível de emprego subiu 0,20% no período, mantendo uma seqüência de 18 meses consecutivos de alta.

Apesar da manutenção das admissões, a oferta de vagas profissionais na indústria vem diminuindo ao longo dos últimos meses. No terceiro trimestre do ano passado, o número de empregos havia crescido 2,57% sobre o período anterior, taxa que caiu para 1,65% nos últimos três meses de 2004, e que agora, entre janeiro e março de 2005, atinge apenas 0,93%.

As informações fazem parte dos Indicadores Industriais, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (05). Segundo a entidade, embora as sucessivas altas na taxa básica de juros do Brasil tenham comprometido a atividade industrial e freado a expansão do nível de empregos, a boa notícia é que a indústria continua contratando e acreditando no crescimento econômico em 2005.

Menos horas trabalhadas e maiores salários pagos

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A pesquisa da CNI revela também que houve queda de 1,62% nas horas trabalhadas na produção em março, diante do cenário verificado em fevereiro. Mesmo a comparação com igual período do ano passado sugere uma trajetória de alta mais branda, com expansão de 4,20% nas horas trabalhadas na indústria, taxa abaixo dos 7,23% observados um mês antes.

Já em relação aos salários pagos pelo setor, o boletim da CNI aponta aumento de 2,03% em relação a fevereiro. Este incremento satisfatório, no entanto, ocorre após dois meses consecutivos de queda, o que leva o crescimento acumulado do primeiro trimestre a ficar apenas em 0,81%, percentual inferior ao aumento de 3,68% verificado nos últimos três meses do ano passado.

Mais favorável, a comparação entre os primeiros trimestres de 2004 e de 2005 registra ainda uma evolução significativa de 9,12% nos salários pagos na indústria.

Vale ressaltar que os Indicadores Industriais são apurados mensalmente pela CNI, que analisa cerca de 3 mil empresas de médio e grande porte instaladas em 12 estados do Brasil. Todas as comparações efetuadas pela sondagem desconsideram fatores sazonais.