Índice que mede expectativa dos economistas recua em janeiro

No primeiro mês do ano, ISE, que varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total), ficou em 104,8 pontos

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SÃO PAULO – Economistas começaram o ano menos confiantes na economia. É isso que é percebido pelo ISE (Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia) de janeiro.

Medido pela Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) em parceria com a OEB (Ordem dos Economistas do Brasil), o ISE registrou queda de 4,7% no mês de janeiro, passando de 110 pontos para 104,8 pontos -, na comparação com dezembro. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve alta de 41,5%.

É importante sublinhar que o índice varia de 0 (pessimismo total) a 200 (abaixo de 100 denota pessimismo e, acima, otimismo. A pontuação 200 revela otimismo total.

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Trata-se de um resultado positivo, após um período de desconfiança com relação ao futuro da economia. Em julho do ano passado, o índice voltou a registrar, pela primeira vez desde agosto de 2008, pontuação no patamar de otimismo.

Receio
A queda foi provocada, principalmente, pelo item Taxa de Câmbio, que voltou ao patamar de pessimismo em janeiro. De acordo com a Fecomercio, a moeda nacional valorizada foi considerada inadequada pelos economistas. Além da Taxa de Câmbio, os economistas permaneceram receosos com relação a três fatores, cuja pontuação indicam pessimismo:

  • Taxa de Câmbio (73,3 pontos; -27,8%)
  • Taxa de Inflação (69,1 pontos, -16,1%)
  • Taxa de Juro (67,9 pontos; -7,9%)
  • Gastos Públicos (16,6 pontos; +51,4%)

Dados da inflação indicam maior pressão de preços para este início de ano, como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que em janeiro registrou alta de 0,52%, ante 38% em dezembro, puxado principalmente por alimentos, tarifas de ônibus e combustíveis. Os economistas avaliaram este item de forma pessimista tanto no presente como daqui a 12 meses.

Em relação aos Gastos Públicos, embora registrassem alta, ainda permanecem em um patamar muito pessimista. “O governo federal vem aumentando expressivamente o gasto de custeio da máquina pública e não dá nenhuma indicação de que haverá cortes nem no curto nem no longo prazo, o que ainda implica na avaliação negativa dos economistas”, declarou a Fecomercio.

Itens que apresentaram otimismo
Apesar da queda em alguns itens, cinco dos nove fatores avaliados ficaram acima dos 100 pontos.:

  • Nível de Atividade Interna – PIB, que ficou com 173 pontos (-3,5%);
  • Cenário Internacional (158 pontos, -2,2%);
  • Nível de Emprego (135 pontos, -5,1%);
  • Salários Reais (122,5 pontos, +7,8%);
  • Oferta de Crédito ao Consumidor (127,5 pontos, +2,7%);

Composição
O ISE é composto por dois sub-índices: o Atual, que analisa o sentimento dos economistas em relação ao presente, e o Futuro, que mede o sentimento quanto ao futuro.

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A Fecomercio acredita que, se a pressão dos indicadores continuar, juntamente com o aumento dos gastos públicos e a expectativa de mercado de aumento da taxa básica de juro, a tendência do ISE pode continuar negativa e apontar uma nova queda em fevereiro.

O levantamento é realizado mensalmente, contando com entrevistas com cerca de cem economistas renomados de todo o País.