IBGE: brasileiros mais ricos ganham 16,2 vezes mais que os menos favorecidos

As menores médias de rendimento mensal foram encontradas nas regiões Nordeste (R$ 492,50) e Norte (R$ 667,10)

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SÃO PAULO – Em 2004, o rendimento médio dos 10% mais ricos da população brasileira ocupada equivalia a 16,2 vezes o rendimento médio dos 40% mais pobres, constata a “Síntese de Indicadores Sociais 2005”, elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)e divulgada nesta quarta-feira (12).

Considerando somente os homens ocupados, essa relação sobe para 16,5 vezes. Já em relação às mulheres ocupadas, a proporção cai para 14,3 vezes. O estudo tem como base os dados da PNAD 2004 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Trabalhadores domésticos ganharam menos

Enquanto os maiores rendimentos pagos em 2004 foram para os empregadores, R$ 2.366,30 mensais, em média, os menores ficaram com os trabalhadores domésticos, que receberam R$ 355,20 por mês.

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Os militares e estatutários receberam R$ 1.300,10 mensais, os empregados com carteira assinada R$ 784,60, os empregados sem carteira assinada, R$ 435,70 e os trabalhadores por conta-própria, R$ 598,50, em média.

No geral, a distribuição da população ocupada por posição se dava da seguinte forma: 30,4% eram empregados com registro na carteira; 22% eram trabalhadores por conta-própria; 18,3% eram empregados sem registro na carteira; 7,7% eram trabalhadores domésticos; 7% não eram remunerados; 6,6% eram militares e estatutários e 4,1% eram empregadores.

Desigualdades regionais

As menores médias de rendimentos, em geral, foram encontradas nas regiões Nordeste (R$ 492,50) e Norte (R$ 667,10). Em relação à maior média salarial (Sudeste), o valor do Nordeste representava cerca de 53%.

A maior diferença encontrada foi entre os trabalhadores por conta-própria (39%) e a menor, entre os trabalhadores domésticos (77%). Na comparação entre as cidades, os maiores rendimentos médios dos empregados com carteira estavam no Distrito Federal (R$ 1172,30) e em São Paulo (R$ 945,70). Alagoas (R$ 475,80) e Piauí (R$ 495,50), por sua vez, ficaram com as menores médias.

Em 2004, as maiores proporções da população ocupada com carteira assinada e empregadores encontravam-se nas regiões Sudeste (39,4% e 4,5%) e Sul (35,1% e 5,2%), respectivamente.

Os “informais” (empregados sem carteira e trabalhadores por conta-própria) somaram 40,2% da população ocupada e estavam mais concentrados no Norte (13,6% e 18,4%) e Nordeste (14,4% e 20,3%), respectivamente.

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Essas duas regiões também tinham os maiores percentuais de trabalhadores não-remunerados (12,6% no Nordeste e 11% no Norte). Já a categoria de militares e estatutários tinha maior peso relativo no Norte (11,1%) e no Centro-Oeste (12,4%).

Mulheres ainda ganham menos

Em todas as categorias analisadas, os homens ganhavam mais do que as mulheres. A maior proximidade encontrada (mulheres recebiam 93,9% do salário masculino) foi entre os empregados sem carteira assinada. A maior diferença (64,6%) era entre os trabalhadores por conta-própria.

Entre os 40% mais pobres, o rendimento médio das mulheres representava 76% do rendimento dos homens, enquanto que entre os 10% mais ricos essa relação caía para 65,9%.

Por fim, as trabalhadoras com até 4 anos de estudo recebiam em média, 80,8% do rendimento dos homens com o mesmo nível de escolaridade. Já as que possuíam 12 anos ou mais de estudo recebiam 61,6% do rendimento-hora masculino.