HSBC: investidores se preocupam com medidas do BC para conter a inflação

Mercado de capitais também gera dúvida; analistas do banco traçam novas projeções para a economia brasileira em 2011

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SÃO PAULO – A inflação em alta e a improvável tarefa de mantê-la próxima do centro da meta estipulada pelo governo é uma das grandes preocupações na economia brasileira. Segundo o HSBC, após pesquisa realizada com investidores, engana-se quem pensa que a inflação marginal já chegou ao seu pico e, portanto, pode começar a recuar.

No período de junho a agosto de 2010, com a inflação aparentemente controlada, o ciclo de aperto monetário foi interrompido, já que os preços dos alimentos não causavam preocupação. Porém, a tendência se reverteu e a inflação despertou, com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mensal médio no 4T10 aumentando para 0,74% e com expectativas de maiores elevações no primeiro trimestre de 2011.

De acordo com Alexandre Gartner e Francisco Vanzolini, analistas do banco, o sentimento do mercado é de apreensão, principalmente porque além da dinâmica da demanda doméstica, há o temor de que o crescimento dos mercados emergentes represente uma pressão de alta para os preços locais. Logo, a maior amplitude nos preços deve ser muito difícil de ser controlada.

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Preocupações em todos os campos
O que também preocupa os investidores é a maneira como o Banco Central está lidando com a pressão inflacionária. A necessidade de aperto fiscal e monetário é nítida, porém o Brasil segue um caminho menos ortodoxo, mas ainda não tão heterodoxo como outros países, a exemplo da Turquia. Sendo assim, para que a situação do mercado melhore, a confiança nas medidas do governo e o sentimento a respeito delas devem ser sólidos. 

Há uma série de indefinições por aqui. A credibilidade, entre investidores, de que a inflação voltará ao centro da meta em tempo hábil é pequena. Não bastasse tudo isso, ainda permanece a incerteza com os rumos do mercado de capitais brasileiro. Isso porque, os temores a respeito de novos impostos para frear a entrada de dólares via compra e venda de ações ou renda fixa criaram certo mal estar entre os investidores.

Confiança do consumidor
Após níveis recordes no último ano, a confiança do consumidor brasileiro apresenta sinais de queda, tendência observada desde outubro passado.

O índice de confiança do consumidor da CNI/Ibope (Confederação Nacional da Indústria) possui seis componentes, todos de pesos iguais. O componente referente á inflação foi o mais afetado nos últimos três meses, ao registrar recuo de 17%. Além disso, a preocupação com a alta dos preços está aumentando, atingindo níveis que não eram vistos desde a crise de 2008.

Renda dos trabalhadores
Não foi apenas a confiança do consumidor que foi golpeada pela inflação crescente. A renda real média que havia subido no período de inflação baixa, caiu 0,8% em novembro e registrou nova queda de 0,7% em dezembro.

“Entendemos que os trabalhadores foram surpreendidos pela inflação alta e fortes ganhos salariais registrados no início de 2010, e foram impactados pelos aumentos de preços que eventualmente foram surgindo”, explicaram os analistas.

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O ritmo de avanço dos ganhos salariais deve se dar em um ritmo mais lento, já que o mercado de trabalho segue muito apertado e a tendência deve continuar.

Novas projeções
Seguindo o consenso do mercado e avaliando as preocupações dos investidores pesquisados, a equipe econômica do HSBC revisou as projeções para o ciclo de aperto monetário e espera aumento de 125 pontos-base para a Selic neste ano. Apesar dos esforços, a inflação não deverá convergir para a meta de 4,5% nos próximos anos, prevê a equipe.

No campo fiscal, o superávit primário deve ser de 2,5%, ficando abaixo dos 3,0% projetados pelo governo. Como a meta não foi atingida em 2010 mesmo com a capitalização da Petrobras (PETR3, PETR4), a credibilidade do governo em cumprir metas ficou afetada.

Os analistas do banco também não esperam uma consolidação fiscal significativa, acreditando apenas em uma transferência de incentivos, saindo do consumo privado em direção aos investimentos. As mudanças no campo fiscal devem reduzir os aumentos salariais em 2011.

“Os bancos públicos, como BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e CEF (Caixa Econômica Federal), devem buscar políticas de crédito expansionistas para atingir a agenda do governo de crédito imobiliário para baixa renda e investimentos “, concluíram.