Harvard pode reduzir bolsas por conta da crise; isso ocorrerá no Brasil?

Universidades consultadas pela InfoMoney disseram que as chances são pequenas, pelo menos no próximo ano

SÃO PAULO – Em carta direcionada a alunos, professores e funcionários da Universidade de Harvard, a diretora Drew Faust afirmou que a crise financeira internacional obrigará a instituição a cortar gastos. Isso significa que pode haver redução da concessão de bolsas.

Ela disse que a instituição já passou por diversas turbulências e manteve sua força. “Mas nós todos reconhecemos que Harvard está vulnerável”, afirmou ela sobre a nova situação global. “Nós teremos que agir de maneira que reflita a realidade”. Diante disso, fica a questão: quais as chances de isso ocorrer aqui no Brasil?

Universidades consultadas pelo portal InfoMoney disseram que as chances são pequenas. “Na PUC-SP, nós não vamos alterar nada”, afirmou a assessora da Reitoria Comunitária da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Célia Forghieri, que coordena a área de bolsas de estudo da instituição.

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“Para 2009, já nos inscrevemos no ProUni [programa do governo para subsidiar o estudo de pessoas de baixa renda em escolas particulares] para a oferta de 400 novas bolsas integrais. Já adotamos política de expansão para 2009″, completou a coordenadora. Na instituição, 15% do orçamento é destinado para a oferta deste benefício a alunos.

Governo não muda pós-graduação

Sobre a pós-graduação, a assessora disse que, se o governo diminuir o orçamento para bolsas de estudos, isso poderá chegar aos alunos. “Mas nada foi acenado nessa direção e o orçamento para 2009 já foi aprovado”.

Para se ter idéia, no dia 10 deste mês, os ministros Juca Ferreira, da Cultura, e Fernando Haddad, da Educação, lançaram o primeiro Edital de Seleção Pública para Bolsas de Estudo em Pós-Graduação, em nível de mestrado.

O objetivo foi promover ações que contribuam com a ampliação do acesso à produção científica no Brasil, em especial as que promovem novos estudos e pesquisas no campo da cultura e na formação de recursos humanos de alto nível para o setor. Serão 48 bolsas, no valor de R$ 1,2 mil cada, e 16 grupos de pesquisa relacionados à área da cultura. Serão escolhidos três projetos de cada um dos grupos.

Pouco suscetível

No Ibmec São Paulo, a mesma situação é prevista. Em nota oficial, a faculdade informou que o Fundo de Bolsas, existente há aproximadamente seis anos, ainda é modesto e, por isso, está pouco suscetível à atual crise financeira. Mesmo porque os investimentos feitos são de forma prudente e conservadora, o que implica baixo risco.

Os programas de bolsas do Ibmec São Paulo atendem atualmente 101 alunos dos cursos de graduação, que recebem subsídios que variam de 20% a 100%.

Essas bolsas são financiadas pelo Fundo de Bolsas, que recebe 1% do faturamento bruto da faculdade e doações. Ele também conta com a contribuição daqueles que se formaram com bolsa, por meio da restituição dos valores concedidos, sem juros e em prazos alongados.