Direitos trabalhistas

Greve na Chery continua e dissídio será julgado pelo TRT

Trabalhadores da Chery da fábrica de Jacareí (SP) estão em greve desde o dia 6 de abril, em protesto contra baixos salários e condições de trabalho

Terminou na última quarta-feira, 22, sem acordo, a audiência de conciliação entre a direção da Chery e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, em Campinas (SP). Como trabalhadores e montadora não se entenderam, a ação de dissídio coletivo ajuizada pelo sindicato irá para julgamento pelo pleno da Corte, ainda sem data definida.

 

Trabalhadores da Chery da fábrica de Jacareí (SP) estão em greve desde o dia 6 de abril, em protesto contra baixos salários e condições de trabalho. O sindicato quer que a empresa assine a convenção coletiva da categoria. Segundo a entidade, um montador na Chery ganha o piso de R$ 1.199, enquanto um trabalhador com a mesma função na GM recebe R$ 3.500.

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Os metalúrgicos pedem também redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Querem ainda o fim da terceirização nos setores de logística e manuseio da fábrica, a extensão do convênio médico para os familiares dos trabalhadores e estabilidade no emprego. A greve ocorre menos de um ano após a inauguração da fábrica, que começou a operar em agosto.

 

Audiência

 

Na audiência de hoje, a montadora chegou a oferecer reajuste imediato de 44,5% do salário de montadora 1, para R$ 1.732,55, mais 5% em setembro deste ano ou o índice do IPCA acumulado entre abril e setembro. Para operadores 2 e 3, o aumento imediato seria de 10%. Já para funcionários do setor administrativo haveria um reajuste de 8,48% para salários de até R$ 7 mil e de R$ 595 fixos para vencimentos acima de R$ 7 mil.

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O sindicato, contudo, não aceitou a proposta e sugeriu um reajuste do piso para R$ 2,5 mil e a aplicação das normas coletivas do segmento automotivo. Propôs ainda pagamento integral dos dias parados, estabilidade de 120 dias após a greve, extinção imediata das terceirizações, composição de comissão da fábrica para implantar plano de cargos e carreiras e jornada de trabalho de 40 horas semanais.

 

Os desembargadores do TRT e o Ministério Público do Trabalho, por sua vez, propuseram um meio termo, com o pagamento de um piso salarial de R$ 1.850 retroativo a 1º de abril, com o retorno imediato dos trabalhadores após assembleia e futura negociação dos demais temas. Sindicato e empresa, no entanto, não aceitaram a proposta, fazendo com que a ação de dissídio coletivo vá a julgamento do pleno.

 

Sem acordo, funcionários da Chery seguem em greve.

 

Mercedes-Benz

 

Nesta segunda-feira, trabalhadores da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) também paralisaram as atividades por tempo indeterminado, em protesto contra a promessa de demissão, em 4 de maio, de 500 dos cerca de 715 metalúrgicos que estão em lay-off (suspensão dos contratos de trabalho) na unidade.