Greve dos metalúrgicos prejudicou atividade das empresas

Setor atingido foi o de máquinas e eletroeletrônicos. Nas empresas onde houve negociação, greve já foi finalizada

SÃO PAULO – Os 11 mil metalúrgicos de São Paulo que trabalham em empresas do setor de máquinas e equipamentos e eletroeletrônicos fizeram greve, nesta quarta-feira (8). Em algumas companhias, a paralisação terminou tão logo começaram as negociações com o sindicato, em outras a greve somente acabou quando foi fechado acordo. Na Metalfrio, indústria da zona sul do setor de máquinas, entretanto, a greve continua.

Os trabalhadores decidiram manter a greve até a assinatura do acordo. A empresa conversou de manhã com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, e o diretor Antonio Raimundo, que comandavam assembléia na porta da fábrica, e pediu prazo até amanhã para analisar o acordo. Os trabalhadores não aceitaram, ficaram do lado de fora da empresa até 10h da manhã e foram para casa. A fábrica tem cerca de 480 funcionários.

Torres não soube precisar o quanto as empresas atingidas foram prejudicadas. Segundo ele, isso depende muito do ramo de atuação, do foco (mercado interno e externo) e dos estoques. “Empresas com estoque alto talvez não sintam tanto a greve”, disse.

Sobre a greve

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De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, de 22 empresas, foram fechados acordos com nove. “Outras ficaram para amanhã”, afirmou, ao lembrar que, na quinta-feira (9), outras 15 empresas serão alvo das negociações.

“Pela manhã, as empresas ficaram 100% paradas, mas, depois, os metalúrgicos foram voltando ao trabalho”, disse. Tudo começou com a postura dos sindicatos patronais – Sindmaq e Sinaees – que dificultaram as negociações e não acenarem com nenhuma contraproposta. “Outros cinco grupos patronais negociaram e suas empresas não sofreram com a greve”.

A categoria, com data-base em 1º de novembro, reivindica aumento salarial, valorização do piso salarial, fim das terceirizações e cumprimento da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (contra demissão imotivada). A campanha salarial envolve 54 sindicatos de metalúrgicos no Estado, que representam cerca de 750 mil trabalhadores. Segundo Torres, as empresas têm se mostrado abertas à negociação.