Grau de instrução dos trabalhadores aumentou na última década

Mercado de trabalho mais competitivo forçou maior instrução, cerca de 28,9% deles têm mais de 11 anos de estudo

SÃO PAULO – Se existe um aspecto positivo da globalização da economia mundial é o aumento da competitividade dos mercados, que por sua vez teve um impacto bastante positivo no nível de capacitação dos profissionais como um todo. Esta constatação se confirma na Pesquisa Nacional por Amostragem Familiar (Pnad) elaborada pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) referente à última década.

Escolaridade aumentou entre trabalhadores

Cada vez mais pressionadas para atingir ganhos de produtividade, as empresas passaram a exigir uma qualificação maior dos seus trabalhadores, o que forçou muitos deles a investir na melhora da sua qualificação profissional para manter seus postos de trabalho. Diante disto, o percentual de trabalhadores com 11 anos ou mais de estudos aumentou de 18,4% em 1992 para 28,9% em 2001.

Em sentido contrário, o percentual de trabalhadores analfabetos, ou com menos de um ano de estudo, caiu de 17,8% para 11,6% no mesmo período. Apesar disto, a participação dos trabalhadores com 4 a 7 anos de instrução continua elevada, respondendo por 29% do total de trabalhadores. Neste grupo estão incluídos os trabalhadores que concluíram apenas o ensino fundamental.

Instrução cresceu na população com mais de 10 anos

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O grau de instrução aumentou não só entre os trabalhadores, mas entre a população com mais de dez anos de idade como um todo. Neste segmento a percentagem de pessoas com menos de 4 anos de instrução caiu significativamente entre 1992 e 2001, passando de 40,5% da população para 29,1%.

Por outro lado, o percentual de pessoas com mais de 8 anos de instrução subiu de 25,5% para 37, sendo que o maior aumento se deu no grupo de pessoas com mais de 11 anos de instrução, isto é, entre os universitários, que aumentaram sua participação de 14,1% para 21,7%.

Trabalho infantil ainda sobrevive

Apesar da melhora tanto na instrução dos trabalhadores como na população em geral, e na significativa redução do percentual de crianças sem acesso a educação no país como um todo, o trabalho infantil ainda persiste, apesar de ter registrado forte retração.

Do total de 16 milhões de crianças entre 5 e 9 anos, cerca de 1,85%, o que equivale a pouco menos de 297 mil crianças ainda trabalham, dos quais a grande maioria são meninos. Cerca de 72% dos trabalhadores nesta faixa etária são meninos, e boa parte deles trabalha no setor agrícola. Esta tendência se mantém entre as crianças mais velhas, mas neste caso a atuação passa a se dividir entre setor agrícola e não agrícola.

Em 1992 cerca de 19,6% das pessoas entre 5 e 17 anos de idade trabalhavam, percentual que caiu para 12,7% em 2001, através da redução em todas as faixas etárias. Contudo, esta queda é mais significativa se analisarmos somente as crianças de 5 e 14 anos, entre os anos de 1999 e 2001, cujo percentual baixou de 9% para 6,8%. Apesar da queda ser significativa para um período de apenas dois anos, ainda existem cerca de 2,2 milhões de crianças entre 5 e 14 anos que trabalham.