Governo investe R$ 1 milhão no mercado de games; carreira é promissora?

De acordo com diretor da Faculdade Módulo, é notório que o setor tende a crescer muito no Brasil nos próximos anos

SÃO PAULO – O mercado de games brasileiro receberá um incentivo de R$ 1 milhão, conforme publicado no dia 5 de dezembro no DOU (Diário Oficial da União). O montante faz parte do Programa de Fomento à Produção e Exportação do Jogo Eletrônico (BRGames), lançado pelo Ministério da Cultura.

Diante deste incentivo dado pelo governo, fica a dúvida: o setor de games é promissor? Vale a pena atuar nessa carreira? Num primeiro momento, quando analisado o setor mundialmente, percebe-se que a participação do Brasil ainda é tímida. “É notório que é um setor que tende a crescer muito”, afirmou o diretor da Faculdade Módulo, que oferece a disciplina de games para os profissionais do curso de tecnologia, Wagner Sanchez.

Ele citou dados que mostram que, enquanto no mundo o setor fatura algo em torno de R$ 50 bilhões anuais, no Brasil, o montante é de R$ 350 milhões por ano.

“Na verdade, a indústria de games é nova ainda, quando se fala de entretenimento – videogame, celular, internet. Tem mais ou menos 10 anos que se caracteriza como indústria. Antes, haviam ações isoladas. A Abrasem, que é a associação do setor, tem mais ou menos cinco anos, e são cerca de 60 empresas na área. Mas estão surgindo muitas”, afirmou o coordenador do curso de graduação em design de games da Anhembi Morumbi, Delmar Galise.

E a carreira?

De acordo com Sanchez, existe uma crença de que o profissional que atuará no mercado de games “irá brincar”. Por isso, a formação ainda é tímida no Brasil. “Poucas são as faculdades que têm cursos de games mesmo. Nós temos uma disciplina por ano voltada para os games, nos quatro anos de curso de tecnologia. Até que no último ano o estudante está apto a atuar na área”, disse.

Galise afirmou que a Anhembi Morumbi foi pioneira na criação de uma graduação com foco em designers de games. O curso da faculdade existe desde 2002. “O que o Brasil tem são cursos de jogos digitais tecnólogos, mais para programação”.

A faculdade resolveu oferecer o curso para atender a uma demanda de empresas. “Havia uma demanda, uma necessidade de formação porque a indústria estava crescendo”, afirmou. Atualmente, quem busca esses profissionais não são só as empresas de games, mas portais na internet, empresas de aplicativos em celulares, de animação e até agências de publicidade.

Área de atuação

Sobre as áreas em que é possível dedicar-se ao mercado de games no Brasil, são as seguintes:

  • Mídia eletrônica;

  • Softwares denominados “residentes”: são pequenos, para uso na internet e em celulares, por exemplo;
  • Indústria de games diretamente;
  • Indústria de entretenimento;

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O diretor afirmou que, quando se fala em games, não é certo pensar apenas nos jogos, mas em entretenimento, que está presente na vida de todo mundo. Questionado sobre qual das áreas acima é a mais promissora, ele respondeu: “O game propriamente dito ainda tem muito a crescer. Em animação, o Brasil já é referência mundial, por causa do setor de publicidade. Agora, game ainda está ganhando espaço”.

Mesmo assim, Sanchez é enfático ao dizer que a carreira é promissora. “Quem investir agora, para formação daqui a dois ou três anos, o mercado de trabalho vai buscar. Hoje, já existe uma carência de profissionais, mas não tão grande quanto haverá”, explicou.

Formação e salário

Mesmo com poucas faculdades, é importante para o profissional da área investir na formação. “A carreira de TI carrega um preconceito de que é muito imediatista e a área de games pega carona nessa questão e se esquece da formação básica”, explicou Sanchez. De acordo com o diretor, o profissional de games precisa ter noções de negócios.

Em relação aos salários da área, o diretor da faculdade afirmou que eles caminham bem próximos aos da área de TI, com um estagiário ganhando entre R$ 600 e R$ 1 mil, chegando a um salário de R$ 10 mil facilmente, de acordo com o desempenho e a carreira percorrida.