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Executivo da Volkswagen corre risco de demissão após alusão nazista, diz jornal

Para um investidor americano ouvido pelo Financial Times, a frase pode ser imperdoável de tão ofensiva

Herbert Diess
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O futuro do executivo-chefe da Volkswagen está incerto após frase proferida em uma reunião administrativa na terça-feira da semana passada (12). Herbert Diess, que assumiu controle da maior montadora do mundo há menos de um ano, teria feito alusão ao regime nazista, segundo a revista Manager Magazin.

Em conversa com executivos, Diess disse “o lucro vai te libertar” (em alemão, "ebit macht frei"). Essa escolha de palavras remeteria à frase “arbeit macht frei" (“o trabalho te libertará”), grafada nos portões dos campos de concentração de Auschwitz.

No contexto, Diess dizia que as altas margens de lucro de marcas como Porsche davam mais liberdade ao grupo do que marcas como a Audi.

Após a notícia sobre o comentário, o conselho da Volkswagen se manifestou classificando a frase como "inapropriada e difícil de compreender".

No entanto, o ato pode ter consequências. Um investidor institucional norte-americano de longo prazo, ouvido pelo Financial Times, acha que Diess vai ser demitido. “Estou dividido quanto a isso. Por um lado, ele é um dos poucos executivos que poderia levar a empresa na direção certa. Por outro, isso é tão ofensivo que não acho que seja realmente perdoável.”

O jornal também conversou com Ulrich Hocker, diretor do DSW, grupo que representa pequenos acionistas alemães, que disse considerar o comentário “ridículo”. "Não é uma frase que você possa falar na Alemanha", diz.

Uma terceira fonte, investidor cuja firma tem ações no valor de dezenas de milhões de euros, disse que ficou “muito chocado e chateado” com o comentário. "Tínhamos grandes esperanças nele - na estratégia ambiciosa e foco nos custos. Mas o que mudou na semana passada é que agora há grandes pontos de interrogação quanto a seu discernimento."

Herbert Diess pediu desculpas pela frase e disse que “de forma alguma” tinha a intenção de referenciar o regime nazista. Vale ressaltar que a Volkswagen foi criada nos anos 30 pelo próprio Hitler.

Na quarta-feira, o conselho trabalhista enviou um comunicado interno aos funcionários da Volks, elogiando o esclarecimento imediato de Diess e suas “desculpas inequívocas”.

Christian Strenger, membro-fundador da comissão de governança corporativa da Alemanha, ouvido pelo Financial Times, acredita que remover o executivo após o pedido de desculpas seria um erro, uma vez que ele está fazendo as famílias Porsche-Piëch aderirem às reformas. "Ele tem sido muito bem-sucedido em fazê-los se mexer."

A fala de Diess foi divulgada pela revista Manager Magazin nesta quinta-feira (21). No início desta manhã, as ações da Volkswagen chegaram a cair 2%. Às 12h04, apresentavam queda de 2%.

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