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Como a carioca Leda Braga se tornou a "rainha" dos fundos quantitativos no mundo

Ela fundou a Systematica Investments, sediada no Reino Unido, que tem US$ 10 bilhões sob gestão e entrega retornos acima da média

Leda Braga
(Reprodução)

SÃO PAULO – A carioca Leda Braga é pouquíssimo conhecida fora do mercado financeiro – até porque raramente dá entrevistas. Entre seus pares no setor de fundos de investimento, porém, é quase uma lenda.

Leda é CEO da Systematica Investments, uma gestora sediada em Jersey e especializada em fundos quantitativos, aqueles em que as decisões são tomadas por meio de algoritmos e modelos estatísticos. Nos Estados Unidos, os gestores não são obrigados a divulgar os resultados de seus fundos periodicamente, por isso, as informações sobre a rentabilidade da Systematica são irregulares. Mas as que são públicas mostram por que Leda é uma das gestoras mais influentes do mundo e ficou conhecida como “queen of the quants” (rainha dos fundos quantitativos).

Para se ter uma ideia, o fundo administrado por Braga viu ganhos de 43% em 2008, ano marcado por uma das maiores crises econômicas mundiais - a média dos fundos multimercados naqueles 12 meses foi de 11,8%. 

Nascida no Rio de Janeiro, Leda se mudou para Londres em 1987 para fazer doutorado no Imperial College. Lá, chegou a lecionar durante três anos antes de mergulhar no universo financeiro.

Leda lançou a Systematica em janeiro de 2015, após 14 anos como gestora do maior fundo da BlueCrest, o BlueTrend fund. A empresa é, na verdade, resultado de uma separação amigável entre a executiva e seu então sócio, Michael Platt, que até hoje é diretor da BlueCrest.

No ano da fundação da Systematica, Leda já era conhecida como a mulher mais poderosa no universo dos fundos multimercados. Em 2016, ficou na 44ª posição entre os gestores mais ricos do mundo – e foi a primeira mulher da história a aparecer neste ranking. Em 2018, o prêmio HFM European Performance Awards na categoria “contribuição para a indústria”.

Suas poucas aparições públicas acontecem em palestras e eventos voltados para profissionais do mercado financeiro. Em uma delas, a gestora se definiu como uma pessoa com tendência a “racionalizar tudo” – o que permeia sua atividade profissional. Em outra, tratou da sua especialização nos quants como uma forma de tirar a emoção dos investimentos que faz.

Isso porque na estratégia quantitativa, a tecnologia de análise de dados toma as decisões com base em modelos estatísticos para melhorar as probabilidades de ganhos a partir de identificação de discrepâncias nos números. É diferente dos fundos discricionários, os mais comuns do mercado, em que que os gestores decidem que ativos comprar ou vender.

Leda gosta de lembrar da vez em que, em um painel, um homem questionou seus métodos de investimento dizendo: “tudo o que você tem para prever o futuro são dados”. À essa provocação, ela retrucou: “você acha que o cara [do fundo] discricionário tem o quê? Uma bola de cristal?”.

Para a rainha dos quants, os melhores investidores são os que focam em números e dados. Durante evento em Stanford em 2018, Leda elogiou o megainvestidor Warren Buffett – que nada tem de quant na estratégia. “Warren Buffett age como um cientista de dados: ele é uma pessoa disciplinada que observa dados para tomar suas decisões e monitora esses dados para apoiar suas próximas decisões”, afirmou.

Na mesma ocasião, Leda definiu seu trabalho em duas grandes frentes: a geração de sinais e a construção de portfólio. No primeiro momento, sua equipe e sua tecnologia definem quais ativos são boas compras e vendas. “É a parte de previsões do negócio”, diz. Depois, partem para outros questionamentos: “como eu meço essas posições, quanto de cada uma e quão rapidamente eu entro e saio delas”.

Com cerca de US$ 10 bilhões sob gestão, a Systematica tem escritórios em Nova Jersey, Genebra, Londres, Nova York e Singapura. Leda é a única mulher entre os executivos da gestora, espelhando a realidade das finanças em geral. De acordo com a Forbes, embora 46% dos funcionários do mercado financeiro sejam mulheres, a taxa cai para 15% no nível executivo.

“Se formos observar a presença das mulheres na indústria [de tecnologia], aposto que o setor financeiro fica com as taxas mais baixas. Provavelmente em um dígito, eu arriscaria. Isso é algo a ser mudado”, disse Leda, também em Stanford.

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