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Empresas com diversidade de gênero podem lucrar mais que a média, diz pesquisa

A consultoria entrevistou mais de 14 mil funcionários, em 39 instituições financeiras na América do Norte 

Executivas
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Empresas com diversidade de gênero nas equipes executivas têm 21% mais chances lucrarem acima da média e 27% mais probabilidade de criar valor agregado em relação às empresas menos diversas, segundo uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey. 

O estudo mostrou que 90% das companhias afirmam serem comprometidas com o tópico nos cargos sêniors. A intenção faz todo sentido justamente porque companhias com maior diversidade de gênero têm um desempenho melhor. Mas na prática é outra história. Dentre as empresas que participaram do estudo, as mulheres ocupam apenas 19% dos altos cargos executivos. 

A consultoria entrevistou mais de 14 mil funcionários, em 39 instituições financeiras na América do Norte. Os resultados do estudo estão alinhados com o que se observa em outros países. 

O estudo mostra também que apenas uma em cada cinco mulheres chegam aos altos cargos executivos do mercado financeiro. E embora elas sejam menos ambiciosas em relação ao desejo de ocupar altos cargos do setor (26% contra 40% dos homens), essa não é, nem de longe, a única razão pela qual elas possuem menos representatividade no alto escalão.

Desafios

Os desafios para as mulheres alcançarem altas posições na empresa começam ainda nos cargos de entrada. Embora a proporção de homens e mulheres contratados seja equivalente, elas têm 24% menos chances de ganharem sua primeira promoção. Mesmo pedindo um cargo melhor em porcentagens similares aos homens. As mulheres negras, em particular, têm 34% menos chances de serem promovidas.

“Você entra em período de experiência com déficit e precisa provar seu valor mais do que seus pares, em vez de chegar com apoio e acreditando que há uma razão para você estar na mesa”, diz Beverly Anderson, chefe de cartões e serviços de varejo da Wells Fargo.

Apenas 34% das mulheres em posições sênior afirma ter recebido conselhos sobre como avançar na carreira de outro líder, enquanto 44% dos homens disseram ter recebido esse tipo de suporte.

“Por não temos muitas pessoas do sexo feminino nos altos cargos executivos, as mulheres mais novas não veem modelos de referência ou caminhos potenciais para chegarem à liderança no nível executivo”, explica Deanna Strable, vice-presidente executiva e CFO da Principal.

Equilíbrio trabalho x vida

É preciso ressaltar, ainda, que quase metade das mulheres em cargos mais altos disseram continuar tendo responsabilidades domésticas, contra apenas 13% dos seus pares masculinos. 

Além disso, em comparação com seus colegas do sexo masculino, as mulheres com cargos mais altos também acreditam que a priorização do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, incluindo licença maternidade e horários de trabalho flexíveis, prejudicará sua capacidade de ter sucesso no emprego. Segundo o estudo, elas têm esse visão porque percebem que a penalidade é maior à medida que suas responsabilidades no trabalho aumentam com cargos sêniors. 

“O preconceito que retém as mulheres é a limitação das expectativas. Eu tinha dois filhos e era casada, então as pessoas assumiram que eu não queria fazer um trabalho em Londres, que eu não gostaria de levá-los comigo. Isso não era verdade. Seja vocal sobre o que você quer. Não presuma que as pessoas vão saber”, sugere Karen Peetz, presidente aposentada da BNY Mellon.

Marianne Lake, diretora financeira do JPMorgan, acredita que ter mais mulheres em todos os níveis executivos é importante para inspirar outras mulheres. “Eu acho que as mulheres estão olhando para a indústria, o conselho, o conselho executivo e o gerenciamento para encontrar pessoas que sejam parecidas com elas, para que elas entendam que também podem ter sucesso nesses papeis”, observa.

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