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Com passagens por Apple e Microsoft, brasileiro prodígio conquista Vale do Silício aos 23

Tudo começou quando Lawrence Lin Murata fundou uma plataforma de crowdfunding para financiar seus estudos em Stanford, nos EUA

Lawrence Lin Murata
(Arquivo Pessoal)

SÃO PAULO - O paulistano Lawrence Lin Murata tinha 17 anos e estava no terceiro ano do ensino médio quando participou de uma feira de universidades, onde instituições de várias partes do mundo apresentam seus cursos em busca de alunos interessados. Ele conheceu inúmeras instituições e saiu da quadra do colégio onde acontecia o evento com um brilho nos olhos, decidido a realizar seu sonho de estudar fora do país.

Ainda no terceiro ano pesquisou sobre o processo seletivo, fez os testes de idioma e enviou todos os documentos necessários. Meses depois veio a resposta: fora aprovado em quatro prestigiadas universidades americanas: Stanford,  Dartmouth, UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) e Yale. Optou pela primeira, por ter um ambiente “mais descontraído” em relação às oito do Ivy League (Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Universidade da Pensilvânia e Yale).

O primeiro passo estava dado, mas o desafio agora seria o de como custear sua graduação fora do país, já que sua família não tinha condições de pagar a mensalidade e seria mais difícil, como aluno estrangeiro, conseguir uma bolsa de estudos.

Com mais 13 amigos que também tinham o desejo de estudar fora, Murata criou uma plataforma de “vaquinha virtual” para levantar a quantia necessária. O grupo conseguiu uma parceria com a Fundação Estudar, de Jorge Paulo Lemann, e ainda, um investimento do BTG Pactual, levantando em apenas quatro meses US$ 200 mil para que todos pudessem estudar.

A iniciativa deu certo e em ele 2013 aterrissou em Stanford para cursar Ciência da Computação. Apesar de ficar surpreso e animado com a infraestrutura da universidade, percebeu que algo estava faltando: “Eu tinha uma visão muito idealizada do Vale do Silício e lá o grande problema é que os maiores talentos da tecnologia estão indo para as áreas focadas na geração de lucro e não na área de impacto social”.

Decidiu que faria algo a respeito e em 2015 fundou uma ONG, a “CS+Social Good”, voltada para promover discussões sobre o impacto da tecnologia, diversidade no ambiente tecnológico etc. O projeto cresceu e hoje está presente em 14 universidades ao redor do mundo, incluindo Princeton e Brown, além da  Universidade de São Paulo.

Além da ONG, o jovem prodígio já ministrou seis aulas diferentes em Stanford e trabalhou durante os verões de 2015 e 2016 na Apple e na Microsoft, respectivamente. Na empresa de Steve Jobs, aplicou seus conhecimentos de inteligência artificial e participou da equipe de desenvolvimento da assistente Siri, enquanto na Microsoft focou na área de segurança para o pacote Office. “O Microsoft Office é o maior produto da empresa, mas a equipe de segurança é pequena. Pelo fato da segurança ser uma prioridade e a equipe ser compacta, o trabalho é bem intenso e rápido”, lembra.

Hoje, formado pela Stanford e com 23 anos, Murata continua morando nos EUA e cuida de sua própria startup, a Newton Technologies, focada em soluções de inteligência artificial aplicada para o transporte. “A empresa utiliza a IA para analisar como motoristas estão dirigindo e o contexto em tempo real, ou seja, condições de trânsito e de clima, e usa tudo isso para criar um modelo de risco para cada motorista”, explica. Recentemente a startup fechou um aporte milionário liderado pelos mesmos investidores anjo da Dropbox e de outras startups conhecidas, como Doordash. 

Otimista, o gênio do Vale do Silício afirma que futuro ainda reserva muito espaço para o desenvolvimento das tecnologias. “Dados vão poder ser usados na área de segurança, autonomia, infraestrutura, para melhorar semáforos, otimizar o trânsito e reduzir engarrafamentos”, diz. E conclui: “Os dados vão trazer uma revolução gigante para a área de transportes”.

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