Ganhar uma viagem da empresa é sinal de reconhecimento do trabalho

De acordo com especialistas, para poder desfrutar da viagem, os profissionais precisam atingir as metas estabelecidas pela empresa

SÃO PAULO – Viajar para conhecer diversos lugares do mundo é o desejo de muitas pessoas. Conscientes deste desejo, muitas empresas premiam seus funcionários com passeios. De acordo com a OMT (Organização Mundial do Turismo), anualmente, ocorrem 50 milhões de viagens de incentivo. Somente no Brasil, em 2010, foram gerados R$ 30 milhões por este segmento.

Um dos beneficiados, no ano passado, por uma viagem-prêmio foi o coordenador financeiro da Spring Wireless, Rodolfo Dias Silva. Ele ganhou, além da passagem e hospedagem para a África do Sul, ingressos para assistir ao jogo do Brasil contra a Costa do Marfim durante a Copa do Mundo.

Silva viajou acompanhado de mais três colegas da empresa. “A viagem foi uma forma de reconhecimento do trabalho. A escolha foi da diretoria, baseada na meritocracia”, explica.

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A África do Sul também foi um dos destinos escolhidos pela Syngenta para levar seus colaboradores. No ano passado, a empresa premiou seus profissionais que puderam viajar com esposas/maridos.

“Todo ano, nós escolhemos um país. No ano passado, foram 110 casais para a África. Nós fomos o primeiro grupo a entrar no Soccer City [estádio]. Fomos convidados a tomar um café-da-manhã. Isso foi uma surpresa, não esperávamos”, declara o diretor comercial da Syngenta, João Paulo Zampieri.

Este ano, os profissionais fizeram um cruzeiro pelo Caribe. Entre os destinos visitados pelos profissionais da empresa, destacam-se Itália, Marrocos, Canadá, Portugal e Estados Unidos. O último foi o único escolhido duas vezes pela empresa, devido ao sucesso do programa. “Fomos duas vezes à Disney. Os vencedores viajaram com suas esposas e filhos. Os filhos faziam pressão para que os pais ganhassem”.

Desempenho dos profissionais
Mas, para poder desfrutar da viagem, os profissionais precisam atingir as metas estabelecidas pela empresa. É o que explica o headhunter da De Bernt Entschev Human Capital, Clayton Pinto.

“A viagem de incentivo é para motivar, desafiar e reconhecer. A viagem tem de ser atrelada às metas. É dos melhores prêmios. As pessoas preferem viajar a ganhar um bem. A lembrança da viagem dura por 10 anos, enquanto para bens de consumo a lembrança desaparece depois de cinco anos”, afirma.

Já o sócio-gerente da Asap, consultoria de recrutamento e seleção de executivos de média-gerência, João Paulo Camargo, afirma que, em alguns casos, os profissionais preferem receber o prêmio em dinheiro. A escolha depende da cultura da empresa.

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Ele acrescenta ainda que, independentemente de ganhar viagem ou dinheiro, a medida também incentiva os profissionais que não ganharam. “Não existe frustração, se a pessoa souber porque ela não ganhou”, diz.

Regras claras
Mas, para que o profissional saiba em que errou, os especialistas afirmam que a campanha tem de ser clara. O contrário pode causar desconfiança nos colaboradores.

Apesar de positiva, a viagem como forma de prêmio deve ser elaborada com muito atenção, para que ela seja motivadora. Um dos cuidados apontados pelo headhunter da De Bernt é que a empresa não mude as regras e o destino após o lançamento da campanha.

“A empresa deve subsidiar tudo, não basta dar somente as passagens. Os locais também têm de ter estrutura. O prêmio não pode ser um transtorno para empresa e nem para o profissional”, finaliza.