Polêmica

Funcionários da Microsoft que avaliavam vídeos e fotos “perturbadores” processam empresa

Empresa de Bill Gates não deu surporte adequado, segundo a ação

SÃO PAULO – Dois funcionários da equipe de segurança digital da Microsoft estão processando a empresa alegando que foram obrigados a ver fotos e vídeos de agressões sexuais, assassinatos e pornografia infantil, sem nenhum suporte da empresa, o que resultou em transtorno pós-traumático, de acordo com a ação judicial que o site The Guardian teve acesso.

Os funcionários Henry Soto e Greg Blauert estão processando a companhia alegando que trabalhavam em uma divisão da Microsoft onde precisavam verificar denúncias enviadas pelos usuários a respeito de conteúdo ofensivo ou criminoso. Assim que avaliavam que o conteúdo era mesmo ilícito, deveriam tirá-lo do ar e alertar as autoridades. Eles faziam uma espécie de filtro do conteúdo.

No entanto, eles acusam a Microsoft de não providenciar nenhum tipo de suporte psicológico para amenizar a tensão da tarefa. Segundo o site, a denúncia mostra o conteúdo “desumano e repugnante” que ambos os funcionários tiveram que assistir regularmente e alega um transtorno psicológico causado pela falta de suporte da empresa, já que tiveram que fazer o trabalho diariamente por horas.

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Se o processo prevalecer, pode ter ramificações para corporações em toda a indústria, e segundo Ben Wells, um dos advogados responsáveis pelo processo, espera-se que o caso inspire outras empresas a falarem sobre as más condições de trabalho.

Soto está sem trabalhar, com uma licença médica devido aos transtornos psicológicos. Enquanto, Blauert vai regularmente ao psiquiatra para tentar se recuperar da crise de ansiedade e insônia. 

Um porta-voz da Microsoft disse ao site que a empresa “discorda” com as reivindicações no processo e “leva a sério a sua responsabilidade de remover e relatar imagens de exploração sexual e abuso infantil sendo compartilhada em seus serviços, bem como a saúde e a resiliência de seus funcionários que fazem este importante trabalho”.