Força Sindical defende dissídio de emergência para compensar inflação

Perdas para quem recebeu reajuste em novembro é de 8,5%, Fiesp não vê espaço para antecipação de reajustes

SÃO PAULO – A forte alta dos preços no ano passado está motivando a Força Sindical a defender a idéia de um dissídio de emergência, para compensar os trabalhadores das perdas que tiveram devido à inflação no ano passado. Em 2002, dependendo do índice de inflação utilizado, os preços subiram entre 12,53% (medida pelo IPCA) e 25,31% (medida pelo IGP-M).

Através da mobilização de cerca de 4,5 milhões de trabalhadores paulistas, a Força Sindical acredita que poderá pressionar os sindicatos patronais a concederem um dissídio emergencial para os trabalhadores que tem data base no segundo semestre. Nesta quarta-feira, dia 5, a direção nacional da Força Sindical se reunirá para definir as estratégias que devem ser adotadas na campanha.

Perdas chegam a 8,5%

Para defender a decisão, a Força Sindical usou como exemplo as categorias dos metalúrgicos e químicos, cuja data base acontece na segunda metade do ano. Em ambos os casos, as categorias receberam um reajuste de cerca 10% em novembro do ano passado.

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Contudo, se tomarmos a inflação medida pelo INPC do IBGE como base, nos 12 meses terminados em novembro do ano passado, a inflação era de 12,55%. Assim o reajuste de 10% implicou em perdas de 2,31%. Como a inflação de dezembro ficou em 2,70% e a previsão é de que a inflação acumulada de janeiro a fevereiro deve ficar em cerca de 3,63%, as perdas sobem para quase 9%.

Com base nisto, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, informou que a Fequimfar (federação dos químicos paulistas), ligada à central, já orientou seus 33 sindicatos a procurarem as empresas para discutir correções salariais. Silva também pretende discutir a antecipação das negociações salariais das categorias que têm data-base no primeiro semestre, como por exemplo, os operários da construção civil e dos motoristas de ônibus.

Fiesp não vê espaço para reajustes

A Força Sindical pretende enviar os pedidos do pagamento de um dissídio extraordinário para a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado do São Paulo), de forma que, se não houver acordo, a intenção é recorre à Justiça do Trabalho, e na ausência de acordos, a greves.

Da sua parte o diretor do Departamento de Integração Sindical da Fiesp, Pedro Evangelinos, não acredita que seja possível conceder reajustes emergenciais, pois muitos setores da economia sofreram queda no lucro e na quantidade de horas trabalhadas. Evagelinos lembrou que o aumento dos preços foi devido ao reajuste dos preços administrados e tarifas públicas, que também afetou as empresas, de forma que as empresas já foram penalizadas com a perda de margem e não existe possibilidade de reajustes agora.

Por sua vez, o negociador do Sindipeças (representante do setor de autopeças), Drausio Rangel, acredita que negociar um reajuste emergencial agora significaria alimentar ainda mais o aumento dos preços, que em última instância prejudicaria os trabalhadores. Exatamente por isto, Rangel acredita que não seja possível discutir reajustes sem crescimento da economia.