Força Sindical anuncia greve de 23 mil metalúrgicos na região metropolitana de SP

Categoria pede reajuste extraordinário de 10%, CUT inicia campanha para antecipação de data base para setembro

SÃO PAULO – Cumprindo a promessa que havia feito no início de fevereiro, quando pediu um dissídio especial para compensar as perdas devido à inflação no segundo semestre do ano passado, a Força Sindical anunciou, nesta quarta-feira, uma greve envolvendo cerca de 23 mil metalúrgicos na região metropolitana de São Paulo.
De acordo com informações do secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, cerca de 40 fábricas foram paralizadas, no que está sendo considerada a primeira grande greve do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O sindicalista afirmou que não há qualquer plano sobre quando a greve deve ser suspensa.
Reajuste de 10%

A greve dos metalúrgicos da região metropolitana fica bastante aquém do que ameaçava a Força Sindical no início de fevereiro, quando chegou a cogitar que seus 2,6 milhões de associados poderiam aderir à paralisação.
A greve tem como objetivo garantir às categorias que tiverem reajuste no segundo semestre do ano passado as perdas com a inflação desde então que, segundo representantes da Força Sindical, seria de cerca 10%. Desta forma, o percentual de reajuste reivindicado pelos grevistas é exatamente este, de 10%.
Vale lembrar que os metalúrgicos receberam em novembro do ano passado um reajuste de 10,26%, percentual que certamente ficou bem abaixo da inflação pelo IPCA, que mede a variação dos preços de famílias com orçamentos de até R$ 8 mil e é tido como a inflação oficial. A variação do IPCA no acumulado de 12 meses até novembro teria sido de 12,53% com perdas de cerca 2,31 pontos percentuais para os trabalhadores.
CUT também deve lançar campanha

Mas não é apenas a Força Sindical que está pressionando os empresários na busca de reajustes extraordinários, o mesmo acontece com os metalúrgicos associados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), que devem lançar sua campanha nesta quarta-feira.

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Assim como a Força Sindical, a CUT pretende negociar a antecipação da data base dos metalúrgicos de novembro para setembro, assim como conseguir a aprovação de um abono emergencial. Na visão dos representantes da CUT, ao antecipar a data base, o trabalhador teria como diluir melhor os ganhos obtidos uma vez que novembro está muito próximo da data de pagamento do décimo terceiro e os reajustes acabam quase não influenciando os valores a receber.

Fiesp não vê espaço para reajustes

Quanto ao abono extraordinário, a CUT pretende iniciar negociações com os empresários. Apesar de concordar que a inflação prejudica, sobretudo, os assalariados, o diretor do Departamento de Integração Sindical da Fiesp, Pedro Evangelinos, não acredita que seja possível conceder reajustes emergenciais, pois muitos setores da economia sofreram queda no lucro e na quantidade de horas trabalhadas.

Evangelinos lembrou que o aumento dos preços foi devido ao reajuste dos preços administrados e tarifas públicas, que também afetou as empresas, de forma que as empresas já foram penalizadas com a perda de margem e não existe possibilidade de reajustes agora.

Por sua vez, o negociador do Sindipeças (representante do setor de autopeças), Drausio Rangel, acredita que negociar um reajuste emergencial agora significaria alimentar ainda mais o aumento dos preços, que em última instância prejudicaria os trabalhadores. Exatamente por isto, Rangel acredita que não seja possível discutir reajustes sem crescimento da economia.