Folha de pagamento da indústria recua pela quarta vez consecutiva, aponta IBGE

O valor real da folha de pagamento da indústria brasileira recuou 1,2% em dezembro, na comparação com novembro

SÃO PAULO – O valor real da folha de pagamento da indústria brasileira recuou 1,2% em dezembro, na comparação com novembro, já descontando os efeitos sazonais, denotando a quarta queda seguida do indicador. Frente ao resultado obtido um ano antes, no entanto, houve alta de 0,7%.

Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário, divulgada nesta quarta-feira (15) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O IBGE considera em sua pesquisa mensal o valor total da folha de pagamento do pessoal ocupado assalariado para o mês de referência. Neste cálculo estão incluídos, entre outros: salários contratuais, horas extras, 13º salário, aviso prévio e indenizações, comissões e percentagens e participação nos lucros.

Análise setorial e estadual

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Considerando os valores pagos pela indústria, o IBGE constata evolução em 10 das 18 atividades analisadas em dezembro, em relação ao mesmo mês de 2004.

O destaque ficou para os produtos químicos (+10,8%) e alimentos e bebidas (+4,6%). As principais pressões negativas vieram dos setores de máquinas e equipamentos (-5,0%) e calçados e artigos de couro (-12,0%).

Em termos regionais, a maior contribuição positiva, também levando em conta a base comparativa anual, veio de São Paulo (+2,1%), principalmente por causa das atividades dos produtos químicos (+15,8%) e meios de transporte (+4,9%).

O Rio de Janeiro (+6,0%), em menor medida, também contribuiu, devido ao bom resultado dos alimentos e bebidas (+31,8%) e máquinas e equipamentos (+36,1%).

O destaque negativo ficou com o Paraná (-7,1%) e com o Rio Grande do Sul (-4,6%), principalmente em virtude da redução dos setores de madeira (-21,1%) e de calçados e artigos de couro (-18,7%).

Aumento de 3,4% em 2005

O resultado do acumulado do ano, por sua vez, é positivo. Ao longo de 2005, o valor real da folha de pagamento da indústria cresceu 3,4%. O resultado se deve ao bom desempenho de 13 das 18 atividades pesquisadas.

Os setores de alimentos e bebidas e meios de transporte foram os que mais contribuíram positivamente em 2005, com 9,9% e 7,0%, respectivamente. Já o segmento de papel e gráfica (-4,7%) e o de calçados e artigos de couro (-9,1%) foram os destaques negativos.

Dos 14 locais pesquisados, 11 tiveram expansão da massa salarial no ano passado. São Paulo (+3,2%) e Minas Gerais (+9,3%) foram os que mais contribuíram, principalmente pelo bom resultado dos setores de alimentos e bebidas (+16,7%) e meios de transporte (+7,0%).

O Rio Grande do Sul, por sua vez, apresentou queda de 1,4% no valor real da sua folha de pagamento industrial. O decréscimo de 16,3% dos salários do segmento de calçados e artigos de couro foi o que mais influenciou o quadro.