Fobia: por causa da concorrência, profissionais têm medo de tirar férias

Empresas valorizam quem dá o sangue em nome do cargo. Por isso, quem sai de férias pode perder o posto

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SÃO PAULO – Período de descanso e de maior convívio com a família, as tão sonhadas férias são aguardadas com entusiasmo por alguns profissionais. Outros, por sua vez, começam a ficar nervosos quando o período se aproxima. Segundo o médico e pesquisador da Hollos Consultoria, Cláudio Portella, isso ocorre porque, infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade em que as empresas valorizam quem dá o sangue em nome do cargo. Diante da concorrência, elas podem substituir quem fica um mês longe do posto.

Pesquisa realizada pela psicóloga Ana Maria Rossi, da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR), comprova essa realidade: 38% dos trabalhadores de todos os níveis hierárquicos têm medo de tirar férias, porque temem ser substituídos por alguém que realize suas atividades com melhor desempenho.

De acordo com Portella, alguns profissionais têm dificuldades em se desligar do trabalho. “Geralmente, sentem-se culpados por estarem de férias e por não estarem trabalhando”. Pessoas com personalidade centralizadora ou que possuem cargos de chefia são as que desenvolvem com mais facilidade esse tipo de comportamento. Nestes casos, o médico indica que o antídoto é aprender a delegar funções e confiar na equipe.

O desafio de parar

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Além de não querer gozar das férias, muitos desses profissionais que têm fobia ao recesso não conseguem descansar quando chega o período. “Para nós, que vivemos essa vida frenética das grandes cidades, parar pode ser desafiador. Sempre sugerimos que se faça um período de adaptação, com a redução do pique de trabalho na semana que antecede a folga. Aconselhamos também que as férias sejam programadas com antecedência, para que os dias que a antecedem sejam livres de preocupações”, afirmou.

As férias são importantes para a saúde. Neste período, o nível de tensão e estresse diminui de modo significativo, proporcionando uma pausa para a mente e o corpo. É possível, de acordo com Portella, notar uma melhora na qualidade do sono, nas dores musculares e na pressão arterial. Algumas mamães sentem medo até de sair de licença-maternidade, para que não percam o posto, o que é totalmente equivocado. Não abra mão deste direito!

Para quem vence o desafio de se afastar do trabalho, o médico dá uma dica importante: “É preciso reconhecer que acaba de se encerrar um longo período de obrigações e responsabilidades, marcado certamente por pressões advindas de prazos. Assim, dê espaço para o ócio e férias para o relógio”. Aproveite o tempo livre para reforçar a rede afetiva, fundamental para a manutenção da saúde integral.