Flexibilidade e formação multidisciplinar são marcas das relações internacionais

Mesmo com aumento no número de cursos nos últimos anos no Brasil, mercado segue aquecido em empresas e órgãos públicos

SÃO PAULO – Cresceu velozmente, nos últimos anos, o número de cursos na área de Relações Internacionais nas universidades e faculdades brasileiras. Atraídos em parte pela multidisciplinaridade de uma formação que envolve política, economia, sociedade e visão global e em outra parte pela possibilidade de atuar com ampla gama de setores e campos, milhares de estudantes frequentam as aulas nas instituições que oferecem a graduação – que ganhou mais frequentadores nos últimos anos.

Segundo o vice-coordenador do curso de Relações Internacionais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Paulo Pereira, apesar do aumento do número de cursos, segue baixo o número de profissionais de Relações Internacionais formados com grande qualidade, capacidade analítica e flexibilidade no mercado. “E o mercado e os campos de atuação para o profissional com essa formação continuam crescendo, ou seja, ainda há muito a ser explorado por quem está se formando”, aponta.

Segundo o docente, ao contrário de cursos mais específicos, os profissionais que se formam em relações internacionais não possuem propriamente um mercado reservado. “Não existe um nicho de mercado guardado. Ele é um profissional que atua em várias frentes e acaba concorrendo com administradores, economistas e especialistas em comércio exterior, por exemplo. Mesmo assim, temos percebido que os formados em Relações Internacionais têm se saído bem, em função do diferencial de sua formação”, reconhece o docente.

Campo
Entre as possibilidades de atuação deste profissional, estão os bancos, instituições patrimoniais, a diplomacia empresarial, a internacionalização de corporações, a área de relações políticas e econômicas e a própria pesquisa, que vem ganhando espaço. Também há profissionais formados em Relações Internacionais atuando em organizações não-governamentais, sobretudo as que abordam temáticas de reflexo mundial, como meio ambiente, direitos humanos e trabalho. Também existem os profissionais que se inserem em órgãos públicos, como destaca Paulo Pereira. “Cresceu muito o número de profissionais que estão atuando em departamentos de governo de estado, prefeituras, áreas de cooperação técnica, aproximação com o Mercosul e também as áreas de Relações Internacionais dentro de órgãos públicos”, enfatiza.

A meta, para muitos, no entanto, é o concurso de admissão à carreira de diplomata. Para alcançar esse objetivo, os candidatos precisam, além de contar com boa bagagem cultural e empenho, passar por provas objetivas e escritas. Enfrentando essa maratona, o embaixador fará um curso com duração de um ano e meio, iniciando posteriormente um estágio no Itamaraty. “Mesmo para esta área, em específico, podemos dizer que o curso é bastante adequado, já que conta com a diversidade de conhecimentos e áreas, o que é bastante exigido no exame”, analisa o professor.

Atualmente, avalia o especialista, um profissional com perfil para o êxito na área de Relações Internacionais tem como palavra-chave autonomia. “Ele deve conduzir a sua própria formação, as ênfases, estudos específicos. Um estudante com potencial para ter boa inserção é aquele movido por insatisfação social, formação própria e crítica, que conta com projetos individuais e tem iniciativa no desenvolvimento do curso”, identifica o docente da PUC-SP.

Curso
Para Pereira, como os cursos no Brasil ainda são bastante recentes, a formação desses profissionais está em constante transformação. “Estamos observando a necessidade de adaptação à realidade desses profissionais, o curso deve se adaptar às circunstâncias de seus trabalhos, facilitar essa flexibilidade para que o aluno monte a graduação de acordo com suas especificidades”, analisa.

Segundo o professor, a grande diferença do curso de Relações Internacionais para outros é exatamente o conhecimento multifacetado proporcionado. “Enquanto outras graduações formam um profissional mais técnico, voltado para necessidade do mercado, nós contemplamos a dinâmica do conhecimento, a capacidade de se inserir em diferentes realidades de forma mais consistente”, analisa.

Atualmente, a grade curricular destes cursos compreende, além de nove disciplinas ligadas estritamente a Relações Internacionais, conhecimentos complementares em ciência política, sociologia, antropologia, história, geografia, economia e direito internacional, além de filosofia, linguística e serviço social. Não há um padrão de remuneração, já que esse profissional atua em diversas esferas, mas Paulo Pereira acredita que a média seja semelhante à praticada em áreas como administração e economia. “Isso está diretamente ligado ao envolvimento do profissional na área”, conclui.

PUBLICIDADE