FGV: renda trabalhista cresce 12,1% antes das eleições, mas cai 11,9% depois

Taxa diminui porque é após eleições que brasileiros pagam as contas das medidas adotadas para incrementar renda

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – A média de crescimento da renda mediana em anos pré-eleitorais é de 12,1%, enquanto em anos pós-eleitorais a mesma é de -11,9%. O dado é do estudo “Redistribuição à Brasileira: Ingredientes Trabalhistas”, divulgado nesta terça-feira (22), pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A aplicação de políticas de renda como controle de preços, câmbio, tarifas e ou salários permitem o combate à inflação sem custos de desemprego no curto prazo, mas com conseqüências graves num período longo.

Quando a conta chega ao consumidor

O estudo afirma que a taxa tem diminuição significativa porque são nos anos pós-eleitorais que as contas com gastos de campanhas e medidas para incrementar a renda são pagas pelo próprio eleitor.
“Eleição é a estação etílica, época de boas notícias ilusórias, já no ano posterior vem a conta e a ressaca”, afirma o estudo.

Aumenta chance de conseguir emprego

Aprenda a investir na bolsa

Entre os funcionários públicos, as chances de ocupação de algum cargo é 10% menor na esfera federal e 14% inferior em nível estadual. Isso acontece porque a legislação eleitoral não permite contratação de funcionários seis meses antes das datas de eleições.

Em contraposição, o fator salário dos funcionários públicos aumenta em anos eleitorais, o qual sofre incremento de 3,63% no caso dos trabalhadores federais, 8,1% no estadual e 8,8% no municipal. Este último tem aumento de 0,16% em vagas no período eleitoral para escolha de prefeitos e vereadores.

Efeitos

O estudo explica que a combinação de estagnação com inflação, a chamada estagflação, decorreria da combinação oportunista pré-eleitoral de expansão da renda do eleitor alvo com combate à inflação.

Outro fator que tem efeito significativo na economia é a Copa do Mundo. Segundo estudo da Goldman Sachs, a taxa de crescimento da renda domiciliar per capita mediana brasileira foi de 10,3% em anos de Copa contra 0,84% ao ano no período de 1981 a 2004. Outro dado que confirma o crescimento é do Caged, que prevê 1,8 milhões de empregos formais em 2006, o que bate o recorde de 2004 (1,5 milhões).