Fecomercio-SP: comércio varejista perde 963 empregos em março

Segundo entidade, ainda afetado pela crise, setor registrou leve queda de 0,1% no nível de emprego, em relação a fevereiro

SÃO PAULO – O nível de emprego do comércio varejista na região metropolitana de São Paulo registrou baixa de 0,1%, em março de 2009, em relação a fevereiro. Esse número representa 963 menos posto de trabalho com carteira assinada no setor. Entretanto, na comparação entre março deste ano e o mesmo mês do ano anterior, o comércio varejista de São Paulo teve um crescimento de 5,9% no número de vagas.

Os dados compilados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, foram divulgados nesta sexta-feira (24) pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

Na opinião do economista da entidade, Flávio Leite, os dados do nível de emprego do primeiro trimestre indicam que as empresas varejistas continuam ainda temerosas quanto ao rumo da economia em 2009. Isso ocorre principalmente pelo baixo crescimento econômico esperado (PIB em torno de 0,5% a 1%, queda na produção industrial e nas vendas) aliado às dificuldades de obtenção de crédito.

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“O volume de negócios deve diminuir e é razoável imaginar que os empresários estejam se preparando e adequando seu quadro de pessoal, bem como sua folha de pagamentos à nova realidade”, afirma Leite.

Demissões por setores

O segmento mais afetado desde outubro é o Comércio Automotivo, cuja taxa de crescimento sofreu forte desaceleração, passando de 13,3% em setembro de 2008 para 2,1% em março de 2009. Somente no primeiro trimestre, o setor perdeu 525 empregos.

Para Leite, como este segmento foi beneficiado com a redução do IPI (Imposto Sobre Produto Industrializado)
na venda de veículos zero espera-se uma recuperação nas vendas e, conseqüentemente, do nível de emprego para os próximos meses.

Outro setor que sofreu queda no nível de emprego foi o de Lojas de Departamentos, cuja taxa passou de 10,3% em setembro de 2008 para 2,2% em março, ou seja, 1.671 oportunidades a menos. Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados também apontaram queda de 0,6% em março.

Salários

Os salários médios do comércio varejista em março permaneceram na casa de R$ 1.150, ante R$ 1.153 registrados no segundo mês do ano.

As atividades que registraram os maiores salários foram lojas de Departamentos (R$ 2.037), Concessionárias de Veículos (R$ 1.590) e Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos (R$ 1.553). Já a menor média salarial se encontra no setor de Supermercados (alimentos e Bebidas): R$ 973.

Vale ressaltar que, em março do ano passado, os salários médios do comércio varejista ficaram na casa de R$ 1.081.

Análise

Segundo a análise da instituição, embora a evolução das taxas de emprego ainda permaneça em patamares elevados e com resultados positivos, os reflexos da queda na confiança e a crise financeira continuam a afetar o mercado de emprego no setor mercantil, uma vez que passaram a sinalizar desaceleração desde setembro de 2008.

A avaliação ainda constatou que a rotatividade ficou em 4,3% em março, com 36.209 demissões e 35 novas contratações somente neste mês.