Faturamento das MPEs paulistas cai 1,5% no primeiro semestre

No Grande ABC, foi registrada a maior queda no período, com índice 4,8% menor, em relação a igual período de 2007

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SÃO PAULO – O faturamento real das micro e pequenas empresas paulistas apresentou retração de 1,5% entre janeiro e junho, na comparação com o mesmo período de 2007. A receita total das MPEs foi estimada em R$ 128,5 bilhões.

O comércio foi o único setor com desempenho positivo no semestre, com um aumento no faturamento de 1,2%. As maiores perdas foram verificadas na indústria, com redução de 6,1% e em serviços (-3,2%).

Os dados fazem parte dos Indicadores Sebrae-SP, pesquisa de conjuntura mensal realizada pela entidade, com a colaboração da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), a partir do monitoramento de 2,7 mil empresas de micro e pequeno porte no estado paulista, e divulgada nesta quarta-feira (13).

Reversão no quadro

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Segundo o Sebrae, há sinais de reversão deste quadro. Em junho, o faturamento real das pequenas indústrias paulistas foi 5,6% superior ao resultado de maio, o que denota “indício de retorno à trajetória de crescimento, possivelmente associado aos primeiros pedidos do final do ano”, analisa o gerente do Observatório das Micro e Pequenas Empresas do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê.

Por isso, o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, prevê que 2008 “não seja tão bom quanto estávamos projetando, mas, ainda assim, o segmento das micro e pequenas empresas deve fechar com desempenho igual ao do ano passado (alta de 4% do faturamento real em comparação com 2006) ou com uma pequena alta em termos de vendas. O primeiro semestre foi prejudicado pela inflação, mas no segundo semestre o impacto da alta dos preços será menor para as pequenas empresas”.

Análise regional

No Grande ABC, foi registrada a maior retração no primeiro semestre, com índice 4,8% menor, na comparação com igual período do ano passado. O município de São Paulo (-2,9%) e o interior (-2,4%) também apresentaram variações negativas, mas a região metropolitana foi a que apresentou a menor queda no faturamento, com -0,8%.

Nível de pessoal ocupado

O nível do pessoal ocupado também apresentou queda neste primeiro semestre, na comparação com os primeiros seis meses de 2007, com -4,2% no total geral, incluindo os três setores.

A maior queda foi verificada no setor de serviços (-5,3%), seguida pelo comércio (-4,7%) e pela indústria (-1,4%). Por regiões, a maior queda foi registrada no Grande ABC (-8,6%), seguida do interior (-4,5%), do município de São Paulo (-4,3%) e da Região Metropolitana (-3,9%).

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Já o rendimento dos empregados registrou crescimento (+3,5%) no semestre, na mesma base comparativa. O setor que apresentou maior taxa de crescimento quanto à remuneração dos funcionários foi o comércio, com alta de 4,4%, seguido por serviços (+3,5%). O Grande ABC foi a região onde a renda dos trabalhadores mais aumentou (7,4%). Em seguida aparecem: interior (+3,6%), Região Metropolitana de São Paulo (+2,5%) e capital (+2,3%).

Por sua vez, o gasto das empresas com folha de salários caiu 4,4%, na mesma base de comparação. Segundo o coordenador da pesquisa, em média, as MPEs estão se tornando mais enxutas em termos de pessoal. Assim, embora o rendimento por empregado esteja aumentando, o gasto total das empresas com salários vem apresentando redução. “Mais empresas estão sendo abertas, mas, em média, as empresas novas são cada vez menores em termos de pessoal”, diz Bedê.

Expectativas

As expectativas dos proprietários de MPEs são otimistas para o próximo semestre. Um total de 45% dos empresários ouvidos em julho pela pesquisa esperam faturar mais nos próximos seis meses. O índice é dez pontos percentuais acima do detectado em junho, quando 35% dos entrevistados acreditavam ter aumento de faturamento no segundo semestre do ano.

O cenário para a economia brasileira para os meses entre julho e dezembro também é positivo para os empresários, já que 43% dos entrevistados em julho esperavam uma melhora da economia brasileira nos próximos seis meses, sobre 33% no mês de junho. “A melhora nas expectativas dos empresários pode ser atribuída à movimentação que já se detecta na economia para atender as vendas de final de ano, particularmente no setor industrial”, explica Bedê.