Falta de experiência não deve ser compensada com “enrolação” no currículo

Para a supervisora de processos seletivos do Ciee, Noely David, candidato precisa manter objetividade e ser fiel ao seu perfil

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SÃO PAULO – Objetividade, clareza e persistência são vocábulos que precisam estar presentes na rotina dos jovens que buscam sua primeira oportunidade de emprego ou estágio em empresas. Muitas vezes, a falta de conhecimento específico ou experiência em determinada área deixam os profissionais em dúvida. Afinal, como se apresentar, montar um currículo e competir por uma posição, sem um histórico de carreira para apresentar?

Não faltam fórmulas prontas, orientações e recomendações sobre como o candidato deve se apresentar para as empresas na hora de conquistar sua primeira experiência profissional, mas é necessário ter critério.

Para a supervisora de processos seletivos especiais do Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola), Noely David, quando um candidato busca um estágio ou primeira experiência, deve, em primeiro lugar, ter em mente que este tipo de vaga não costuma cobrar uma experiência anterior, por isso, ainda que um ou outro concorrente por essa vaga já esteja no mercado, isso não é determinante. “É essa vaga que o candidato está visando que fará parte de sua formação inicial, dos primeiros ensinamentos. O candidato não deve se sentir mal por não ter grande experiência”, garante Noely.

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Valorização
Segundo a especialista, ao buscar uma posição, “o candidato deve chamar a atenção para o que ele tem e não lamentar o que não tem. Destacar os cursos extracurriculares, os conhecimentos de informática, idiomas que está aprendendo, se já fez alguma viagem para o exterior. Também é importante destacar se fez algum trabalho voluntário, comunitário, mostrar seu envolvimento social, que é bem visto pelas organizações”, explica Noely.

De acordo com a consultora, na montagem do currículo, não é recomendado que o candidato tente preencher espaços falando sobre características próprias ou aspectos que ele considera que o favoreçam na competição por determinada vaga. “Dizer o que acha de si é uma visão marqueteira. O conjunto de experiências, aprendizados e competências dará um indicativo de quem é o profissional. Afirmar que eu faço isso ou aquilo, sou desse jeito ou de outro, soa até um pouco pretensioso”, afirma Noely.

Outra dica que pode ajudar quem não tem experiências é a criação de uma carta de apresentação, na qual o candidato faz uma breve explanação, com o envio do currículo. “Algo muito simples, se apresentando, mostrando que está interessado em estagiar ou trabalhar, se colocando a disposição para eventuais entrevistas ou contatos posteriores. É uma forma de distinguir a empresa para o qual o candidato está se direcionando”, acrescenta a supervisora do Ciee.

Noely recomenda que os candidatos, experientes ou não, mantenham apenas uma versão, tanto de currículo quanto de postura nas entrevistas. “Quando convocamos uma entrevista, sempre vemos pessoas diferentes entre si. Não são melhores ou piores, apenas diferentes, mais ou menos próximos do perfil desejado por uma organização. Se, em determinada empresa, o perfil de um candidato não for o adequado, para outra pode ser, mas, se ele omitir ou distorcer informações, então estará restringindo suas possibilidades”, alerta.

Mesmo para aqueles que não têm experiência, a supervisora defende que o currículo e a própria forma como o candidato se apresenta devem ser objetivos.