Faculdade em dois anos: como são vistos os cursos tecnológicos pelo mercado?

De acordo com a diretora acadêmica da Anhembi Morumbi, aceitação pelo curso está muito boa e tende a crescer

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SÃO PAULO – Bem-vistos pelo mercado de trabalho, os cursos de tecnologia são indicados para quem tem pressa em ingressar em alguma carreira. Eles funcionam como uma graduação, mas em tempo inferior ao bacharelado.

“O objetivo é formar rapidamente um profissional para o mercado de trabalho”, explica a diretora acadêmica da Universidade Anhembi Morumbi, Josiane Tonelotto. Ela ainda explicou que o curso tecnológico permite o acesso a uma pós-graduação.

Quanto ao conteúdo, a diferença do curso tecnológico ao bacharelado é que o primeiro tem um foco maior na prática e menos pesquisa. “O bacharelado tem um pouco de tudo, para depois a pessoa escolher onde se especializar. O curso de tecnologia já é mais especializado”, explica o diretor acadêmico da Fiap, Winston Sonehara.

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De acordo com ele, os cursos de tecnologia existem desde a década de 1970, mas poucas faculdades o ofereciam. Uma diferença apontada em relação ao bacharelado é o tempo de duração, uma vez que os cursos que formam tecnólogos têm tempo de duração que varia de 1.600 a 2.400 horas.

Como o mercado enxerga o curso tecnológico?

Apesar de um tempo mais curto de duração, os cursos de tecnologia não são mal vistos pelo mercado de trabalho. De acordo com a diretora acadêmica da Anhembi, não há nenhum tipo de resistência na contratação dos profissionais formados por estes cursos. “A aceitação pelo curso está muito boa e tende a crescer”, diz Josiane.

O gerente de comunicação do Grupo Soma, empresa de consultoria em Recursos Humanos, Paulo Ishimaru, também divide a mesma opinião. Ele afirma que a boa aceitação se dá por causa de uma demanda crescente de mão-de-obra especializada no País.

“Acredito que esses cursos preenchem uma lacuna do ensino brasileiro de cursos técnicos. Apesar de um curso de graduação tradicional ser muito mais completo que um de curta duração, a mão-de-obra de qualquer lugar do mundo é formada por uma massa de técnicos. Não existem potências econômicas formadas apenas por pessoas com curso superior”, diz Ishimaru.

Ainda segundo o gerente, a idéia de que estes profissionais, os tecnólogos, podem desvalorizar os bacharéis é totalmente equivocada. “Todos têm seu espaço no mercado. Empresas sérias sabem da importância de cada tipo de colaborador em seus quadros e, conseqüentemente, sabem valorizá-los”.

De acordo com o diretor acadêmico da Fiap, os cursos tecnológicos estão em “franca ascensão” e um dos maiores impulsionadores é o órgão público.

Quando escolher um curso tecnológico?

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Os cursos que formam tecnólogos são mais baratos do que os de bacharelado, quando analisamos o valor final despendido para concluir os cursos. “Mas a mensalidade fica na mesma faixa de preços”, afirma o diretor da Fiap. Isso porque, de acordo com ele, o aluno terá as mesmas necessidades de um bacharel: computador, professor qualificado, bibliotecas e outros.

Há quatro anos, a adesão aos cursos tecnológicos era maior por pessoas mais velhas, que haviam concluído o ensino médio e estavam em busca de um “canudo mais rápido”, nas palavras do diretor da Fiap. Hoje em dia, por sua vez, os jovens já aderem aos cursos. Questionado sobre quando indicaria a uma pessoa que fizesse um curso desses, Sonehara afirma ser quando a pessoa quer “ingressar rapidamente no mercado de trabalho”, tendo em vista que já escolheu uma área.

Sobre escolher uma área de atuação, o gerente de comunicação do Grupo Soma dá uma última dica: “a pessoa que está em dúvida sobre que tipo de carreira seguir deve estar atenta às tendências e rumos que o País, ou sua região, está tomando nos âmbitos econômicos, produtivos e comerciais, e alinhar tudo isso as suas expectativas profissionais”.