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Facebook irá pagar US$ 52 milhões para funcionários que desenvolveram estresse pós-traumático

Os moderadores são responsáveis por avaliar qual conteúdo precisa ser removido e são expostos a publicações violentas

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SÃO PAULO – O Facebook concordou em pagar cerca de US$ 52 milhões em indenizações a moderadores e ex-moderadores da plataforma para compensá-los por problemas de saúde mental desenvolvidos por conta do trabalho de avaliação das postagens na rede social.

Cada moderador receberá no mínimo US$ 1 mil e será elegível para compensação adicional se for diagnosticado com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou condições relacionadas. Segundo informações do The Verge, portal americano de notícias, o acordo foi protocolado na Corte Superior de San Mateo, na Califórnia, na última sexta-feira (8).

O acordo abrange 11.250 pessoas, e os advogados do caso acreditam que metade deles pode ser elegível para receber um pagamento extra relacionado a problemas de saúde mental associados ao tempo de trabalho no Facebook, como depressão, além do estresse pós-traumático.

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“Estamos tão satisfeitos que o Facebook trabalhou conosco para criar um programa sem precedentes para ajudar as pessoas a realizar um trabalho inimaginável há alguns anos”, disse Steve Williams, advogado que representa os moderadores, em comunicado. “O dano que pode ser sofrido por este trabalho é real e grave.”

O trabalho ‘sujo’ dos moderadores do Facebook

Em setembro de 2018, Selena Scola, uma ex-moderadora de conteúdo da rede social, processou o Facebook, alegando que ela desenvolveu TEPT após ter sido colocada em um papel que exigia que ela visse regularmente fotos e imagens de estupro, assassinato e suicídio para poder banir da rede social esse tipo de conteúdo.

Scola desenvolveu sintomas de TEPT após nove meses no trabalho. A queixa, que foi apoiada por vários outros ex-moderadores da rede social, também alegou que o Facebook não forneceu a eles um espaço de trabalho seguro.

Scola fez parte de uma onda de moderadores contratados após as eleições presidenciais dos EUA em 2016, quando o Facebook foi criticado por não remover o conteúdo nocivo da plataforma.

A empresa contratou várias grandes empresas de consultoria, incluindo Accenture, Cognizant, Genpact e ProUnlimited para conseguir contratar milhares de moderadores nos Estados Unidos para fazer o trabalho de seleção do que pode ou não ir para a rede.

O acordo

Sob os termos do acordo, todo moderador ou ex-moderador receberá US$ 1 mil que podem ser gastos da maneira que desejarem. Mas o Facebook aconselha que o dinheiro seja gasto em tratamento médico, cobrindo os custos associados à busca de um diagnóstico relacionado a quaisquer problemas de saúde mental que o moderador possa estar sofrendo.

É possível, ainda, receber uma indenização maior, que dependerá do diagnóstico de cada moderador. Qualquer pessoa que for diagnosticada por um profissional com algum problema de saúde mental causado pelo trabalho é elegível para receber US$ 1.500 adicionais, e as pessoas que receberem vários diagnósticos simultâneos – como TEPT e depressão, por exemplo – podem receber até US$ 6.000 adicionais.

No acordo, o Facebook também concorda em implementar alterações em suas ferramentas de moderação de conteúdo, projetadas para reduzir o impacto da visualização de imagens e vídeos violentos ou perturbadores.

As ferramentas, que incluem silenciar o áudio por padrão e alterar os vídeos para preto e branco, serão lançadas para 80% dos moderadores até o final deste ano e para 100% dos moderadores até 2021.

Os moderadores que veem diariamente conteúdo gráfico perturbador também terão acesso a sessões semanais de treinamento individuais com um profissional de saúde mental licenciado.

Os trabalhadores que estiverem passando por uma crise de saúde mental terão acesso a um conselheiro licenciado dentro de 24 horas, e o Facebook também disponibilizará sessões de terapia mensal em grupo para os moderadores.

“Somos gratos às pessoas que fazem esse importante trabalho para tornar o Facebook um ambiente seguro para todos”, afirmou o Facebook em comunicado. “Estamos comprometidos em fornecer suporte adicional por meio deste acordo e no futuro”.

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