Executivos brasileiros sofrem com adiamento de projetos pessoais, diz pesquisa

Ainda que 80% se sintam orgulhosos por terem atingido a posição de 'primeiro homem', há o alto preço que o sucesso cobra

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SÃO PAULO – Pesquisa da Fundação Dom Cabral, realizada com dirigentes de 40 das 500 maiores empresas do país, mostrou que a grande maioria dos executivos brasileiros se sente orgulhosa por ter atingido o posto máximo da empresa, embora aponte enorme frustração pelo adiamento por tempo indeterminado de projetos e sonhos pessoais.

“Ainda que 80% se sintam orgulhosos por terem atingido a posição de ‘primeiro homem’, há uma clara referência ao alto preço que o sucesso cobra”, disse o coordenador da pesquisa e professor do CTE (Centro de Tecnologia Empresarial) da fundação, Léo Bruno. “Há um importante nível de sofrimento e frustração”, afirma outra coordenadora do estudo, Mariá Giuliese.

Tudo tem um preço!

Segundo os entrevistados, dentre as conseqüências mais nefastas para a vida pessoal, decorrente do sucesso profissional, está o sedentarismo (70%). Em seguida, estão o adiamento de projetos particulares (58%), as dificuldades de relacionamento com a família (39%), comprometimento da saúde (39%), distúrbios de sono (31%) e instabilidade emocional (23%).

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Para Giuliese, eles parecem estar cada vez mais solitários e isolados. “O medo de serem excluídos, destituídos da posição que ocupam e de perderem o poder e a visibilidade que adquiriram funcionam como fator de pressão e opressão para que se mantenham reféns da situação e evitem, a qualquer custo, manifestar oposição à instituição”.

Primeiro mandatário

Os fatores que os atraiu para a posição foram sucesso, poder e status. Além disso, pode ser apontado como motivo uma infância limitada por dificuldades econômicas, o que é uma mola propulsora para vencer desafios em busca de prestígio e ascensão social. É marcante a referência ao sacrifício dos pais e a expectativa de recompensá-los.

O que interfere na relação com a família é o fato de os canais de comunicação permanecerem abertos a qualquer hora do dia ou da noite, devido à globalização. “É fato também que a globalização diminuiu o poder que esses executivos detinham, e esse esvaziamento contribui para o sentimento de frustração”, disse Giuliese.

Pós-graduação lato sensu, experiência internacional e inglês fluente são unânimes, além de 77% se comunicarem em espanhol. A maioria já atuou em, no mínimo, quatro empresas, registrando mais de oito anos na função de principal gestor.