Executivas alertam: mulheres precisam evitar estigmas para serem promovidas

Fama de fofoqueiras e roupas impróprias são dois fatores que podem impedir uma profissional de evoluir na carreira

SÃO PAULO – Embora o número de mulheres em cargos de liderança ainda seja menor que o de homens, as empresas brasileiras têm cada vez mais chefes do sexo feminino. De acordo com pesquisa do Grupo Catho, na última década, dobrou o número de mulheres em cargos de chefia. Porém, chegar nessa posição não é tarefa fácil, principalmente porque o sexo feminino é cercado por estigmas e algumas profissionais parecem não fazer nenhuma questão de provar que eles não são verdadeiros. 

“Todo mundo diz que mulher é fofoqueira e, se no ambiente de trabalho, ela não se preocupar em eliminar fofocas e boatos, dificilmente vai liderar uma equipe. Uma líder não pode fazer fofoca, não pode contar para um funcionário uma conversa que teve com outros funcionários. E não pode também deixar que lhe contem fofocas. São atitudes que não condizem com uma profissional que vai comandar uma equipe e, infelizmente, há muitas mulheres que não se preocupam em não propagar esse estigma”, afirma a secretária de comunicação integrada da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Yole Mendonça. 

Yole relembra como conseguiu dissipar a fofoca em seu ambiente de trabalho quando assumiu a secretaria de comunicação da Presidência. “Certa vez um dos nossos funcionários entrou na minha sala e disse que tinha algo para me falar sobre um colega de trabalho. Eu então disse a ele: ‘Claro, você poderá falar. Deixa só eu chamá-lo para se juntar a nós nessa conversa’. E foi isso que fiz. Chamei para se juntar a nós o funcionário que seria tema da conversa. Obviamente ficou um climão na sala. Mas acredito que, se ele ia ser acusado de algo, tinha o direito de se defender. Depois dessa minha atitude, ninguém nunca mais entrou na minha sala para falar mal de ninguém. Fiquei famosa por isso”, diverte-se a executiva. 

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Mal vestidas
De acordo com a diretora de Marketing da Citroën, Nívea Morato, outro estigma sobre as mulheres é que elas se vestem de forma inadequada no trabalho com o intuito de chamar a atenção de colegas do sexo oposto. 

“Infelizmente há muitas profissionais que ajudam a confirmar esse esteriótipo. Quem nunca trabalhou com alguém que parecia mais estar indo para a praia do que para o escritório?”, questiona a profissional. 

E completa: “Sabemos que muitas vezes a aparência não revela o que uma pessoa realmente é. Porém, a primeira impressão, em grande parte das vezes, é a que fica. Não adianta você ser muito talentosa e ir ao trabalho com uma blusa decotada que mostra o umbigo. Não vão te respeitar”, afirma e aconselha: “A mulher precisa se vestir da maneira como quer ser vista. Ela não precisa se masculinizar, muito pelo contrário. Um vestido certo e um salto alto certo deixam a mulher elegante e poderosa. Uma saia curta e um top decotado fazem com que os outros funcionários achem que ela está ali para arrumar um namorado, e não para trabalhar”. 

Ainda de acordo com a executiva, ao deparar com esse problema em sua equipe, uma líder deve conversar com sua funcionária. “Em uma empresa que trabalhei, havia uma advogada brilhante e sem muita noção de moda. Tive de conversar com ela, alertando que ela estava sendo alvo de “disse me disse” nos corredores. As roupas que ela usava não faziam jus ao seu cargo e a postura que devia ter dentro do escritório, e certamente nenhum diretor confiaria nela para promovê-la a um cargo de liderança. Pode até não ser correto, mas a aparência às vezes fala mais alto sim”, finaliza Nívea.